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[Resenha] A Rainha Vermelha – Victoria Aveyard

Publicado em 27 jun, 2015
A Rainha Vermelha – Victoria Aveyard

ISBN-10: 8565765695
Ano: 2015
Páginas: 419
Idioma: português
Editora: Seguinte

Classificação: 

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.

Resenha:
Quando li que os direitos da obra de Victoria Aveyard haviam sido vendidos para o cinema antes mesmo de o livro ser publicado minhas expectativas ficaram lá no alto. Os comentários de que seria um misto de Divergente, Guerra dos Tronos e A Seleção me deram um aviso: o resultado disso tudo pode ser maravilhoso ou catastrófico. Bem, nas primeiras cem páginas a autora já dá o seu recado. Ela veio para ficar. Ao término do livro eu que preciso me expressar: fica mesmo! Por favor. Fica e lança logo essa sequência que não sinto minhas pernas tamanho o choque.

Se eu sentisse a necessidade de classificar a história dentro de um gênero, inevitavelmente seria Distopia. Mas é tão além disso que parece que estou diminuindo a grandiosidade da sociedade criada por Victoria. Nesse mundo, as pessoas são divididas pela cor do sangue que corre nas veias. Os prateados são a classe dominante. Literalmente. Eles dominam o fogo, a água, a vegetação, e até a mente. Se eles sangrassem em algum momento poderíamos ver seu sangue cor de prata. Mas nessa história o chão é varrido pelo sangue vermelho mesmo. Os vermelhos que são mandados para a guerra, formando exércitos comandados por oficiais que sempre tiveram tudo do bom e do melhor.

A nossa protagonista não foge daquilo que estamos acostumados em casos assim. Sim, ela é do lado desfavorecido da trama. Mare é ladra, atua nos becos escuros da cidade de Palafitas (sim, ela mora numa palafita) para sustentar a família. Não se dedica aos estudos ou aos bons modos. Ela é imoral, teimosa e apaixonante. Seus três irmãos foram enviados para os campos de batalha e apenas um envia cartas dando notícias. É o único que sabe ler e escrever. Sua irmã mais nova Gisa, costura rendas, sedas e peles com pedrarias para vender aos prateados. É um trabalho requisitado que permite o sustento da casa deles de uma forma menos degradante que com as quinquilharias que Mare rouba de tudo e todos.

 Com uma organização social tão injusta onde prevalecem os ricos, é esperado que exista reacionários a esse sistema vigente. A Guarda Escarlate, formada por vermelhos, está se articulando e planeja tomar o poder. Eles querem mais que a igualdade. Eles querem vingança também. Uma série de atentados está abalando cidades prateadas e despertando a ira. Encontramos a ponta do fio condutor da história quando Kilorn, um amigo de infância de Mare, descobre que vai ser enviado para guerra. A garota, que cultiva o hábito para ele péssimo, de sempre querer o salvar cria então um plano perigoso para tentar mandá-lo para longe antes que o fatídico dia chegue. A partir daqui tudo dá errado e vocês precisam ler para entender como a guarda e o plano de Mare estão conectados.

A primeira maior reviravolta acontece quando Mare conhece, sem querer, o príncipe prateado Cal enquanto tentava o roubar. Ela, que também seria enviada para a guerra, acaba sendo salva por ele ao ser destinada a um cargo de criada no palácio real. Durante um cerimônia em que garotas de todas as Grandes Casas do país demonstram seus atributos para conquistar o coração dos príncipes, Mare acaba revelando ser dona de superpoderes. Uma força até então adormecida a salva de uma situação perigosa e a expõe para todos. O quão improvável é uma vermelha se comportar assim? Bem, a rainha Elara e o rei Tiberias inventam uma história mirabolante, mas convincente, e a coroam princesa. Percebam o nível. Mare agora tende pelo nome de Lady Mareena Titanos e irá se casar com Maven, o filho caçula. Parece a solução de todos os problemas? É apenas o início de muitos outros. Ela agora está fadada a passar o resto da vida fingindo ser quem não é. Comendo na mão da realeza que pode a descartar quando bem entender. Vocês acham mesmo que ela vai obedecer a todas as regras? O dom de Mare será um aliado em vários feitos…

O que mais me encantou em A Rainha Vermelha? Preciso listar cada detalhe. As cenas de ação são muito excitantes. Juro. Não são lutas de força, são entraves de inteligência. É quase um X-Man. O fato de cada prateado ter um dom deixa tudo mais divertido. Dá para acreditar que a rainha controla mentes? Que os príncipes Cal e Maven controlam labaredas? A cada página poderes mais impressionantes aparecem, há quem domine a cura, há quem controle o ferro e há também quem iniba todos esses. Mare foi salva por Cal e destinada a se casar com Maven. Sim, temos um espécie de triângulo amoroso aqui. Se você espera um drama aqui pode esquecer. Os três são egoístas e deixam tudo frio, calculado e mais interessante ainda.

A vida no palácio não é fácil e câmeras registram cada conversa e passo feito. É quase um reality show com aberrações que se apaixonam. A Guarda Escarlate está mais infiltrada do que imaginamos e rende muitas surpresas. Por último, e não menos importante, o cenário. A ambientação é rica em detalhes. Victoria Aveyard criou de Norte a Sul desse mundo novo. Lugares devastados, mágicos e esquecidos. É delicioso e chocante visitá-los. O caminho que a história segue nos capítulos finais é de deixar qualquer um estupefato. Nunca me senti tão inocente em toda a minha vida literária. Vocês precisam ler isso.

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