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[Resenha] A Cidade Murada – Ryan Graudin

Publicado em 26 jun, 2015

A Cidade Murada – Ryan Graudin
ISBN-10: 8565765636
Ano: 2015
Páginas: 400
Idioma: português
Editora: Seguinte
Classificação: 
Página do livro no Skoob

A Cidade Murada é um terreno com ruas estreitas e sujas, onde vivem traficantes, assassinos e prostitutas. É também onde mora Dai, um garoto com um passado que o assombra. Para alcançar sua liberdade, ele terá de se envolver com a principal gangue e formar uma dupla com alguém que consiga fazer entregas de drogas muito rápido. Alguém como Jin, uma garota ágil e esperta que finge ser um menino para permanecer em segurança e procurar sua irmã. Mei Yee está mais perto do que ela imagina: presa num bordel, sonhando em fugir… até que Dai cruza seu caminho. Inspirado num lugar que existiu, este romance cheio de adrenalina acompanha três jovens unidos pelo destino numa tentativa desesperada de escapar desse labirinto.

Resenha por Carol Teles:
Sempre tenho uma pequena dor de cabeça para acompanhar livros onde os personagens não tenham nomes tipicamente ocidentais. Já sofri horrores com livros suecos, russos, alemães e chineses. E ainda que Ryan Graudin seja uma escritora americana, ela se inspirou em uma cidade real que existiu dentro de Hong Kong para escrever esse livro. Ou seja, senti um estranhamento num primeiro momento, mas que logo se dissipou quando me acostumei os três garotos que deram voz a essa história.

Jin Ling é uma garota do tipo que todo mundo quer ter como irmã. Atrevida e pau para toda obra. Acaba se vestindo de menino quando se muda para a Cidade Murada, a procura da irmã que foi levada para lá. Na Cidade Murada é muito mais seguro ser um garoto do que uma menina. Jin sabe o que acontece com meninas dentro daqueles muros.

Daí é um mistério. Você não sabe bem o que ele faz ali, mas entende que em absoluto o menino parece com qualquer outro que vive na cidade. É educado e tem metas muito fixas e que pouco tem a ver com sobrevivência, o que é incomum por ali.

Mei Yee é uma garota de programa que mora em um bordel muito bem protegido pelo dono de um dos cartéis de drogas na Cidade Murada. As garotas ali foram sequestradas ou vendidas pelos próprios pais, e são altamente obedientes ao senhor. Sabem que poderão sofrer mais do que uma simples morte por uma desobediência banal. No caso de Mei Yee o negócio é um pouco diferente porque o bordel é pago para manter a menina apenas para um único homem poderoso, que mora do lado de fora dos muros perigosos.

Esses três personagens vão acabar se unindo por seus próprios motivos egoístas sem saber que desse modo deixarão de ser egoístas para se preocupar uns com os outros.

É importante saber que a estrutura da Cidade Murada é quase um personagem a parte. Você vai lendo e sentindo que cada beco, escada, comércio e casa respiram como um organismo vivo. Um amontoado de blocos que verticalmente parecem não ter fim. O espaço que a cidade ocupa é pouco, mas a altura dela chega a ser vertiginosa. Seria uma das nossas favelas aqui do Brasil. Um forte para proteger quem está de fora dos marginais de dentro, e quem está de dentro da vida cara de fora.

Esse livro ganhou meu coração de todas as formas possíveis. Pela narrativa lindíssima e poética da autora, e pela excelência com a qual ela nos mostra quem são os personagens e a que lugar eles pertencem naquele mundo de gente sem chão. Na cidade onde as maiores regras são: Correr muito, não confiar em ninguém e andar sempre com uma faca. Sim, a coisa é pouco humana, o que deixa a história com um ar de distopia. Mas é só um ar mesmo, porque não existe um governo totalitário ali dentro, só uma comunidade de pessoas que lutam diariamente para conseguir comer. É animalesco, e acho que como historiadora a Ryan conseguiu retratar isso com louvor.

O leitor acaba se ligando aos personagens por um instinto de proteção. Eles são tão ferrados e tão precisados de atenção, que meio que a gente quer por no colo e dizer que vai ficar tudo bem. Eu me preocupava até com o gato de Jin Ling, e olhe que não suporto gatos! Essa era a grande mágica da autora… Confiar-nos três personagens e um mundo de outros ao redor deles que precisavam de ajuda e não tinham ninguém por eles.

O livro é em primeira pessoa e com capítulos alternados. Jin, Dai, Mei Yee. A escrita da Ryan é lírica e transforma em versos as coisas mais banais ou asquerosas da vida. O livro é tocante até quando quer ser cruel.

Ando meio enjoada de livros YA, mas esse é daqueles para guardar para o resto da vida. Tem essa temática de sobrevivência que eu tanto amo, e personagens com pouca frescura. Três adolescentes com metas de vida a curto prazo e bem perigosas. Com vidas sofridas e possibilidades de melhora quase nulas. Eles têm que sobreviver a cada dia como se fosse o último. É um livro forte e que te enche de reflexões. Belo, sutil e absurdamente bem escrito.

Recomendado ao extremo!

Carol Teles

Carol Teles

Quase formada em Letras; quase formada em Biblioteconomia, sou altamente inquieta e tenho problemas em terminar coisas que comecei. Durmo pouco e com milhões de travesseiros. Sou chocólatra e passo parte do meu dia em uma Interprise ou Millenium Falcon porque meu filho vive no espaço. Perco-me na vida.

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