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[Resenha] Eu Te Darei o Sol – Jandy Nelson

Publicado em 30 nov, 2015

Eu Te Darei o Sol – Jandy Nelson
ISBN-10: 8581636462
Ano: 2015
Páginas: 384
Idioma: português
Editora: Novo Conceito
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.

Resenha:
E o prêmio de melhor leitura de 2015 vai para: Eu Te Darei o Sol, de Jandy Nelson.

“Sempre que há gêmeos, um deles é um anjo e o outro é um demônio.” Trecho da página 49

Nessa história os gêmeos são Noah e Jude. Nessa história, eles acabam se tornando os anjos e demônios um do outro.

A mente de Noah é um campo fértil onde ele pinta e cria e borda as coisas mais incríveis que existem e não existem. É lá que ele expressa o que o machuca, o faz sorrir e pensar. Seu sonho é entrar para a escola secundária de artes e mostrar ao mundo do que é capaz. Enquanto não tem idade para assistir às aulas dentro da instituição, ele aproveita como pode do lado de fora, absorvendo cada informação nova através de uma janela. Noah odeia o pai, mas ao mesmo tempo deseja ser mais parecido com ele. Mais destemido para enfrentar com coragem Zephyr e Fry que insistem em o jogar de um penhasco chamado Queda do Diabo. Aos 13 anos ele se conhece muito bem e sabe que é gay. E quando Noah conhece o jovem Brian no telhado de sua casa nada parece mais certo que eles estarem juntos desbravando galáxias, caçando estrelas e colecionando meteoritos. Brian veio de outro planeta e Noah nunca foi daqui. Mas o amor só rege as leis desse distante lugar. Aqui a realidade é outra e os problemas chegam para todos nós.

Noah e Jude costumavam trocar as coisas do mundo entre si. Oceanos, florestas, nuvens, planetas. Sóis por abraços. Flores por segredos. Bichos por silêncios. Eles costumavam apostar em como preferiam morrer. Mastigando vidro ou queimando vivo? O que eles não sabiam é que o fim de cada um viria de algo mais doloroso que a própria morte.

Jude nunca quis entrar para a escola secundária de artes mas foi o que acabou acontecendo. Suas esculturas de areia feitas às escondidas na praia foram as responsáveis por colocá-la dentro de um ambiente que aparentemente não é o seu lugar. Ela perdeu o resto do chão quando sua mãe morreu em um acidente de carro. Um chão já rachado e frágil da morte de sua avó, cuja herança deixada fora um livrinho repleto de superstições e ensinamentos (adotada como bíblia por nossa protagonista). Jude agora não sai de casa sem uma cebola no bolso (para dar sorte), acredita que se um menino der uma laranja para uma menina, o amor dela por ele se multiplicará (há romance nessa história) e desenvolveu uma espécie de pânico à doenças extremamente raras. Ela conversa com a avó e é assombrada pela mãe por coisas que fez e deixou de fazer. Todas as esculturas de argila que constrói acabam destruídas antes mesmo dela apresentá-las em sala de aula. Jude precisa se redimir de tudo de ruim que fez em suas últimas férias de verão…

Um brilhante e genioso escultor pode ser a chance de Jude fazer as pazes com o destino. A solução está esculpida em pedra e ela precisa encontrá-la. Criá-la. Convencê-la. O boicote a garotos que adotou desde a morte de sua mãe está por terra. Improváveis garotos, improváveis laranjas.

Noah perdeu a mãe. Perdeu a única pessoa que o enxergava como o artista que ele era. Quem mais o incentivava e apoiava. Quando algo terrível acontece entre ele e Brian, Noah adota uma personalidade que o faz popular, hétero e normal. Ele não pinta mais, nem conversa com o céu. Ele pula de penhascos por vontade própria e agora tem o pai como o melhor amigo.

Jandy Nelson nos leva por memórias e acontecimentos dos últimos três anos de Noah e Jude. Os gêmeos intercalam narrações e dividem amores, tragédias e redenções. Se por algum momento passou pela sua cabeça que a escrita poderia ser infantil pelo fato deles terem entre 13 e 16 anos esqueça isso, por favor. Foi a coisa mais madura, bonita e tocante que li em 2015. Ler Noah foi como viver a minha infância novamente. Até as coisas ruins que se assemelharam à vivências reais foram gostosas de sentir. É poesia pura a imaginação desse garoto. A forma dele transcrever felicidades é sensorial. Enche olhos e coração. As tristezas e decepções nos apunhalam. Fazem chorar. É como Gayle Forman, de Se eu Ficar, diz na capa do livro: “Eu Te Darei o Sol é Literatura. Completamente.”

Há drama e romance e suspense e tantas reviravoltas, tantos segredos obscuros revelados em momentos que a gente realmente não espera. Jude e Noah boicotam mais que garotos. Eles acabam boicotando suas próprias vidas. Não existe Jude feliz e Noah Triste. Existe Jude e Noah dilacerados. A felicidade de um depende da paz do outro. O amor é apenas metade da história.

“Talvez uma pessoa seja feita de várias pessoas. Talvez estejamos acumulando novas personalidades o tempo todo. Carregando-as ao fazermos nossas escolhas, boas e más, enquanto erramos, organizamos, perdemos a cabeça, encontramos nossa cabeça, desabamos, nos apaixonamos, sofremos, crescemos, nos retiramos do mundo, mergulhados no mundo, ao criarmos coisas e destruirmos coisas.”
Por favor, leiam cada página desse livro.

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