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[Resenha] O Guardião – Daniel Polansky

Publicado em 17 dez, 2014

O Guardião – Daniel Polansky
Editora: Geração Editorial
ISBN: 9788581300344
Ano: 2012
Páginas: 448
Classificação: 
Página do livro no Skoob / Compre!

Hoje, quando você sair à procura de Yancey, o Rimador, e tiver de abrir caminho em meio às prostitutas, aos valentões e aos viciados loucos por mais um dia de cheirada ou um trago, você irá se deparar com o corpo de uma criança. O cadáver exala um odor que não é dele, um cheiro que recende a magia e a um lugar, se Sakra quiser, para o qual você jamais irá querer voltar. Não fique tempo demais de bobeira perto do corpo; os gélidos vão querer saber o que você fez e o que há na sua bolsa. E quando eles te pegarem, é para a Casa Negra que você irá, onde o Comandante fará uma oferta que você não terá como recusar. Bem-vindo a um mundo como nenhum outro, com uma linguagem estranha e rica e uma violência tão sombria quanto o mais negro dos noites.

 Resenha:
A sensação que predominou enquanto lia a obra de Daniel Polansky foi confusão. Nem tudo será explicado ou, se quer, mencionado. É aceitável que o primeiro livro de uma trilogia deixe pontas soltas e levante problemáticas a serem resolvidas num segundo volume. O que não é tão aceitável assim é essa ausência de informações básicas para se situar no mundo criado pelo autor. Para alguns, isso pode ser realmente incomodante. De início é mesmo, mas o ritmo imprudente em que a história é narrada faz com que tais detalhes fiquem em segundo plano e você se veja totalmente imerso em sopro de fada.

O cenário é pobre, degradante e obscuro. Uma peste assolou a população após uma grande guerra e os vestígios do sofrimento ainda são vistos em cada viela e buraco da Cidade das Sombras. O protagonista é um traficante de drogas (principalmente da sopro de fada) que usa o que vende e mantém certa fama por ter sido expulso do quartel general da Rainha, a Casa Negra. Não sabemos como é sua aparência ou detalhes íntimos de sua vida. O chamaremos de Guardião e isso é o máximo que obteremos sobre ele. Por enquanto.

Quando uma série de assassinatos em série começam a acontecer, o Guardião decide não se envolver. Em vão. Por ter encontrado o primeiro corpo num beco frio e mal movimentado, ele passa a ser um suspeito em potencial. A partir do momento que se constata que as vítimas atacadas são todas crianças, descobrir quem é o culpado por todos os crimes passa a ser uma prioridade não só para o Guardião, como para a polícia também. Firma-se então um acordo com as autoridades. Vidas estão em jogo e o tempo está correndo. Criaturas sobrenaturais escaparam de alguma dimensão desconhecida e estão envolvidas com pessoas poderosas. Perigosas. A peste pode está de volta…

Flashbacks nos mostrarão a infância do Guardião e o treinamento que recebeu pelo Grou Azul, o mago que protege a cidade do mal e que o acolheu quando era apenas mais um órfão nas ruas das Treze Terras. Carrancudo, corajoso e cheio de segredos e arrependimentos, ele está longe de ser um exemplo de herói ou homem de bem. Ele se droga mesmo, bebe até cair e mata sem dó algum.

O equilíbrio de toda essa sanguinolenta situação está nos ombros dos personagens secundários. Garrincha é um garoto de rua que passa a trabalhar para o Guardião e se mostra um verdadeiro trunfo. Apesar de o relacionamento dos dois ter sido à força e na chateação, o jovem revela seu valor e se firma com maestria na história. Adolphus, o dono da taberna onde o protagonista mora é como um pai. Gigante e desengonçado com um coração maior que toda Rigus. Os vilões e a própria guarda da cidade garantem os momentos de tensão e violência. Acreditem, são muitos.

A narrativa é feita em primeira pessoa pelo Guardião e se desenrola por mais de 440 páginas. Tenho que admitir que as comparações feitas na sinopse do livro são meio absurdas. Tarantino? Blade Runner? Acho que não. Polansky pode até ter se inspirado mas criou algo novo e diferente. Eu adorei os capítulos finais e o livro cresce bastante do meio para o fim. Não é cansativo, apesar de ser um misto leve de fantasia com romance policial, e em breve lerei o volume dois que já está aqui.

Felipe Miranda

Felipe Miranda

Sou redator, produtor de conteúdo, freelancer 24h e quase jornalista. Não consigo ficar quieto. Criei o OMD aos 15 anos e de lá para cá já vivi um mundo inteiro de histórias malucas (sem nem sair de casa).

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