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[RESENHA] Suicidas – Raphael Montes

Publicado em 24 set, 2017

Suicidas – Raphael Montes

ISBN-10: 8535929444
Ano: 2017
Páginas: 427
Editora: Companhia das Letras
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Antes que o mundo pudesse sonhar com o terrível jogo da baleia azul, que leva jovens a tirara própria vida, ou que a série de televisão 13 Reasons Why fosse lançada e set ornasse o sucesso que é hoje, Raphael Montes, então com 22 anos,já tratava do tema do suicídio entre jovens, com a ousadia que virou sua marca registrada. Em seu primeiro livro, que a Companhia das Letras agora relança acrescido de um novo capítulo, conhecemos a história de Alê e seus colegas, jovens da elite carioca encontra dos mortos no porão do sítio de um deles em condições misteriosas que indicam que os nove amigos participaram de um perigoso e fatídico jogo de roleta russa. Aos que ficaram, resta tentar descobrir o que teria levado aqueles adolescentes, aparentemente felizes e privilegiados, a tirar a própria vida. Para isso, contamos com os escritos deixados por Alê, um narrador nada confiável.


Resenha:
Elogios ao trabalho do Raphael Montes não são novidades por aqui e basta você dar uma olhada nas resenhas de Dias Perfeitos, Jantar Secreto e O Vilarejo para sentir o que te espera durante a leitura de Suicidas. E por mais que eu já esteja “habituado” ao texto do autor, não pude deixar de soltar alguns “não acredito que estou lendo isso” em diversos momentos do livro. A obra de estreia do autor carioca traz grandes revelações até a última frase do enredo. É genial e “grotesco” como sempre.

Você pode conhecer alguém que tenha cometido suicídio ou não ter nenhum vínculo próximo com essa realidade, mas não pode negar que imaginar os motivos para alguém ter a coragem de tirar a própria vida é algo que tira o fôlego de qualquer um. É triste, desesperador e ao mesmo tempo significa a paz para o indivíduo vítima de si mesmo. Quer maior dualidade? Se a mídia não noticia o ato pelo efeito em cadeia que representa à audiência, recorrer à literatura parece uma alternativa para entender melhor como funciona a mente de alguém disposto a desistir de tudo. No livro de Montes eu realmente não pude chegar a grandes conclusões sobre isso. Os personagens encaram a morte com tanto desleixo que assusta.

– Alessandro sonha em ser lido
– Zak acaba de perder os pais em um trágico acidente e está milionário
– Waléria foi parte de uma aposta machista e agora está grávida
– Ritinha acredita que seu futuro está nas mãos de algum homem rico que espera conhecer
– Lucas já tentou se matar outras vezes, mas nunca deu “sorte”
– João é irmã de Lucas e parece meio perdida nisso tudo, mas talvez seja culpa das drogas
– Dan vive uma vida de privações por ser deficiente, mas ele está feliz com os novos amigos que fez
– Otto é gay, apaixonado por um enrustido já citado acima e vai sofrer
– Noel ama tanto Ritinha que não percebe o quão é ignorado

Não posso dizer que o grupo de protagonistas dessa história decidiu partir dessa para uma melhor. Aparentemente eles só decidiram morrer. E fim. Não há uma esperança no fim de tudo. Uma roleta-russa foi organizada e eles, um a um, vão passar de mão e mão uma arma munida de uma bala. A cada rodada uma vítima. A cada rodada uma última frase dita. Uma bala para cada um. A cada rodada uma discussão põe em cheque a veracidade daquilo tudo. Será mesmo que todos estão dependendo de sorte para estourar os próprios miolos? Será mesmo que não existe ninguém no comando? Trancados num porão, eles vão expor e discutir segredos, medos e repensar decisões tomadas, talvez, por impulso.

Alessandro sonha em ser um escritor best-seller. A roleta-russa é sua grande matéria-prima. Enquanto o gatilho é puxado ele escreve. Narra cada diálogo, ato de violência, revelação e tiro dado no porão. Ele torce para estar vivo até o fim e conseguir ser o último a morrer. Seu registro será um legado para o mundo. Para a família de seus amigos, para a família das vítimas.

A narrativa é dividida em três partes. Por alguns motivos, arrisco dizer: para dar dinamismo e movimento a história e, claro, taquicardia no leitor. Um ano após a grande tragédia que chocou imprensa e sociedade, a delegada responsável pelo caso reúne numa sala do abafado Rio de Janeiro as mães dos nove jovens envolvidos no ocorrido. Ele descobriu novas pistas deixadas no caderno de anotações de Alessandro e precisa de ajuda.

Nós, leitores, acompanhamos então as questões e reações levantadas pelas mães durante essa leitura, os próprios capítulos de Alessandro na íntegra, e a rotina de Alessandro até o dia 7 de setembro, data em que aconteceu a roleta-russa. A história pode até demorar um pouco a pegar ritmo, mas a partir do primeiro tiro as coisas ganham um ritmo frenético. Um turbilhão de informações ocupam as páginas, levando qualquer um a criar as próprias interpretações de culpa. Quem matou os pais de Zak? Quem teve a ideia da roleta?

Vou precisar repetir que é preciso ter estômago para ler Raphael Montes. Nem pensem que os corpos quando foram encontrados no porão estavam apenas com marcas de balas. Algo pior e mais tenebroso ocorreu ali dentro. O ser humano é dotado de razão simplesmente para poder perdê-la.

Felipe Miranda

Felipe Miranda

Sou redator, produtor de conteúdo, freelancer 24h e quase jornalista. Não consigo ficar quieto. Criei o OMD aos 15 anos e de lá para cá já vivi um mundo inteiro de histórias malucas (sem nem sair de casa).

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