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[Resenha] A Agenda – João Varella

Publicado em 04 dez, 2013

A Agenda  – João Varella
Editora: Novo Conceito / Novas Páginas
ISBN: 9788581632926
Ano: 2013
Classificação:
Página do livro no Skoob

Sandra Macedo é uma alta executiva de marketing. Obstinada e competente, sua eficiência é reconhecida pelos funcionários e pela diretoria da holding onde trabalha. Exemplo de mulher bem-sucedida, Sandra vive atolada entre as obrigações profissionais e uma filha que não lhe dá muita atenção. Em meio a essa correria, fica difícil dedicar um tempo ao lado afetivo. Assim, ela acaba se envolvendo com pessoas que podem comprometer sua carreira e sua saúde emocional. A não ser que ela deixe de ser a menininha que, no fundo, continua sendo…

 Resenha:
Sandra Macedo é um retrato cada vez mais comum: uma mulher que vive para o trabalho e deixa de lado pequenos prazeres da vida para lidar com obrigações, toneladas delas. Sua agenda é vista como parte de sí, usada para lembretes de reuniões importantes e inícios de dietas mirabolantes. Analisando bem, Sandra até tenta ter um bom relacionamento com a filha e se esforça para que seus relacionamentos durem, mas a exagerada objetividade e talvez a frieza a atrapalhem, falta-lhe tudo que envolva percepção afetiva e não percepção de mercado, de marketing. Logo de início acompanharemos uma fracassada relação, entre Sandra e um, também fracassado, surfista. Eles se conhecem na Espanha, no Ano Novo e passam a se encontrar regularmente, um típico caso de sexo que poderia ser algo mais, e acaba não sendo. Quando o surfista foi embora, o ego de Sandra também pegou carona. O cheiro dele ficara impregnado nela por um bom tempo.

Felipe é um jovem estudante de Publicidade e Propagando e acaba de ser contratado como estagiário na Germano Thomas S.A. Sua  bem-sucedida e temperamental chefe, é nada mais, nada menos que Sandra Macedo. O ambiente de trabalho na GT é peculiar, cada personagem representa um estereótipo presente em quase toda e qualquer empresa, é real e cativante. A chefe e o estagiário partilham algo em comum, algo que, sinceramente, não sei como é possível. Ambos não leem ficção, são adeptos da filosofia “apenas livros úteis, por favor”. Escrevendo essa resenha, percebo que a mazela de Sandra foi justamente esse detalhe. No final da leitura vocês entenderão perfeitamente o que quero dizer. Incrível como essa mulher deixou passar tantas coisas válidas em sua vida. Felipe e Sandra gastam tanto tempo juntos, que o trabalho passa a ficar em segundo plano, o que deveriam ser reuniões para definir estratégias de melhoras na imagem da empresa, passam a ser encontros amorosos, regados a sexo e pequenas aventuras, sensações. O crescimento de Felipe na GT é tão rápido quanto sua queda.
Paralelo a esse núcleo do enredo, temos Carrano. Perambulando pelas ruas da cidade, vestindo trapos e tentando sobreviver de poesia. Ele é um senhor pobre e cuida de Binho, um garoto esforçado e dedicado aos estudos,  que perdeu os pais para a marginalidade e drogas. Por Binho, Carrano faz o impossível para sustenta-los e conceber qualquer situação digna de sobrevivência. 
A estória ganha força quando Sandra perde sua indispensável agenda e monta um verdadeiro plano para tentar recupera-la, sem sucesso acaba desistindo certo tempo depois. Os destinos se cruzam, quando ela recebe a agenda perdida, rabiscada com poesias repletas de significados ocultos. Significados repletos de sentidos que preenchem a nova fase de sua vida. Ela se vê disposta a encontrar o responsável pelas anotações em sua agenda. Os destinos se cruzam, o acaso é perverso e o desfecho desse livro é trágico, surpreendentemente trágico.
A narrativa é em terceira pessoa e a linda diagramação dos capítulos lembram uma agenda. O elemento principal de choque de toda a trama é a aproximação com a realidade, com a verdade, chega a ser não ficcional, chega a ser desconfortável ler tantas relações rasas retratadas, relações que pude perceber e associar a várias outras que existem de verdade. Quantas Sandras, Felipes e Carranos conhecemos e nos deparamos diariamente? O quão acomodados estamos a relacionamentos baseados em nada, o quão o comportamento blasé está incorporado em nós, o quão prejudicial pode ser tudo isso, simplesmente deixar-se levar sem sentir de verdade, se importar de verdade. O livro não virou favorito pois não encaixa-se no meu gênero preferido e senti falta de elementos para classifica-lo como tal. Não posso negar que ele cumpre a função de nos sacudir dos pilares já firmes que erguemos faz tempo. Espero novas estórias do autor, sua escrita e vocabulário são maravilhosos.
Felipe Miranda

Felipe Miranda

Sou redator, produtor de conteúdo, freelancer 24h e quase jornalista. Não consigo ficar quieto. Criei o OMD aos 15 anos e de lá para cá já vivi um mundo inteiro de histórias malucas (sem nem sair de casa).

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5 Comentários

  • Ariana Oliveira Gomes
    04 janeiro, 2014

    Puxa, gostei bastante da sua resenha, mas o livro não me instigou… Quem sabe mais no futuro, hein?
    Por enquanto só tô lendo aquilo que me instiga muito.

  • e. luiza
    14 dezembro, 2013

    A resenha como sempre impecável, o enredo do livro me provocou bastante curiosidade, ainda mais quando foi mencionado um "final trágico", a curiosidade despertou minha vontade de lê-lo, mas não tão breve.

  • Fernanda Moraes
    06 dezembro, 2013

    Eu gostei do fato dos personagens se aproximarem muito de pessoas reais, mas o livro em si não chama a minha atenção, não despertou a minha vontade de ler! ;s

    Beijos.

  • Alice Aguiar
    04 dezembro, 2013

    a ideia desse livro é interessante tipo, pela fotos e coisas que já li sobre ele. mas ele não é algo que eu queira ler no momento.
    Seguindo o Coelho Branco

  • Maria Clara
    04 dezembro, 2013

    Não faz meu tipo de livro mas gostei do que você percebeu. Ótima resenha, lipe!