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[Resenha] Dançando sobre cacos de vidro – Ka Hancock

Publicado em 03 jan, 2014

 Dançando sobre cacos de vidro – Ka Hancock
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580412079
Ano: 2013
Páginas: 336
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Lucy Houston e Mickey Chandler não deveriam se apaixonar. Os dois sofrem de doenças genéticas: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo e Mickey, um grave transtorno bipolar. No entanto, quando seus caminhos se cruzam, é impossível negar a atração entre eles. Contrariando toda a lógica que indicava que sua história não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente. Como em qualquer relação, eles têm dias bons e dias ruins – alguns terríveis. Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética. Porém, em seu 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária, quase um milagre, que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado. 

Resenha:
Às vezes um livro te surpreende e raramente um livro te desestabiliza. A estreia de Ka Hancock me deixou sem chão e foi uma grande surpresa do início ao fim. Não costumo segurar o choro quando uma estória é tocante, mas geralmente as lágrimas só descem próximo ao desfecho do livro. Em Dançando sobre cacos de vidro, antes mesmo de chegar a página 100 eu já havia chorado feito um bebê e foi assim até a última página.

Lucy Houston se apaixonou por um doente mental, mas Mickey Chandler é um monte de outras coisas além disso, ela pode apostar que sim. Quando Lucy dera seu telefone ao se conhecerem, Mickey não podia acreditar no que estava acontecendo, ela não sabia que ele vivia no limite, o quão difícil era não confiar no cara que ele via no espelho todos os dias, que ele nunca sabia como iria acordar pela manhã. Lucy simplesmente não sabia que ele sofria de Transtorno bipolar, que havia uma série de substâncias com problemas em seu sangue e que ele tomava vários remédios para compensar. Às vezes nem os comprimidos resolviam e ele acabava no hospital. Ficava hiperativo, irracional, surtava e fazia coisas bizarras e por vezes perigosas. Psicose.

Mas Lucy também tinha seus próprios demônios, uma herança genética maligna. Ela perdeu sua mãe para o câncer e já havia ganhado uma dolorosa batalha cinco anos atrás. Visitas ao consultório médico e baterias de exames frequentemente eram hábitos já incorporados ao seu dia-a-dia. Despertar com o medo e a dúvida de que alguma coisa ocorrera em sua células era um verdadeiro inferno. Ambos levavam um modo instável e doentio de viver, talvez esse desconforto que partilhavam fosse um sinal para que não arriscassem mas eles estavam dispostos a serem melhores. Lucy o amava com seus parafusos soltos e Mickey só enxergava com nitidez o amor e a sorte que tivera.  Dois pacotes danificados que encontraram conforto um no outro. Ancorados á esperança, ignorando estatísticas, a história e a própria lógica.

O relacionamento dos dois vai ser repleto de altos e baixos. Os surtos de Mickey podem ser controlados, medicados, sedados. Determinados aspectos só dependem dele e da forma como administra seus sentimentos e estímulos, com o passar dos anos Mickey ganha experiência em prever, sentir quando está saindo do controle. Já as recaídas de Lucy não são dotadas dessas melhoras e amarras. Em momentos só restarão as preces para o câncer deixa-la, e que Lucy seja capaz de resistir mais uma vez. O timing entre essas quedas pode ser cruel e responsável por deixa-los hesitantes em confiar na vida, em segundas chances. Por várias circunstâncias saírem do controle eles criaram um contrato, com uma série de cláusulas a serem respeitadas: Mickey não bateria na esposa, tomaria seus remédios, não trairia, não usaria drogas. Lucy seria paciente, não pressionaria, não seria exagerada, nem faria amizades com homens atraentes. Ambos fariam terapia semanal e não teriam filhos. Uma série de compromissos invioláveis… até que a vida simplesmente violou o mais grave e os fizeram perguntar: quais os planos de Deus, afinal? Mesmo operada para não engravidar, um espermatozoide fora vencedor na corrida. Lucy e Mickey teriam um bebê. Eles serão capazes de dar conta? É necessário escolher como encarar a situação: como um milagre ou a gota d’água?

A autora simplesmente nos enlaça com bons momentos e lembranças felizes para depois nos sufocar com a tragédia que os afeta sempre após um período de relativa paz. Essa é a trilha sonora de suas vidas. Vamos acompanhar toda a estória de amor entre Lucy e Mickey, os primeiros flertes, o namoro, o casamento e claro, a vida juntos. Cada passo é narrado pela escrita tocante de Hancock, é impossível não se encantar e acreditar no amor dos dois. Lucy teve todas as oportunidades de mudar de ideia, ela sabia que tipo de vida teria. Ela e Mickey dançariam sobre cacos de vidro, e apesar de todos os problemas que enfrentam durante a trama, ela não se imagina amando ou sendo amada por outra pessoa. Ela dançaria até seus pés sangrarem. Para sempre. Os capítulos são intercalados entre as narrações de Lucy e pequenas anotações de Mickey, que na verdade fazem parte de um diário que funciona como terapia. Assim vemos os dois lados da moeda e somos capazes de sentir o quanto as situações exigem de cada um, o quanto cada um se preocupa com o outro além de si mesmo.

Desde o início até a última página do livro a família tem seu valor reforçado. Lucy sempre fora a mais forte das irmãs Houston, quando pequena, seu pai a ensinara não temer a morte. Morrer não doía e ela sempre receberia um aviso quando chegasse a hora. E foi assim que ela enxergou a Morte quando a própria veio buscar seu pai e sua mãe. Agora que está grávida ela pode sentir que sua hora está chegando, a morte a rodeia e as decisões mais difíceis de sua vida terão que ser tomadas. Priscilla e Lily, suas irmãs, cada uma com suas cargas e problemas foram personagens maravilhosos no enredo, tantas lágrimas foram derramadas! Gleason Webb, o psiquiatra responsável por Mickey, e Charlotte Barbee, a médica da família Houston, são os personagens com as notícias mais impactantes da trama. A verdade é que por mais complicado que tenha sido aceitar o relacionamento de Lucy e Mickey, todos que os conheceram sabiam de quanto amor estava envolvido ali. A cada surto de Mickey e com a gravidez de Lucy a colocando em risco,  o medo ganhava um novo impacto assustador e todos que faziam parte de suas vidas estavam presentes e fazendo máximo para amenizar a dor.

Essa resenha ficou extensa, eu sei, mas me preocupei bastante em convencê-los a ler esse livro. Por que ele é uma obra prima e merece. Sabe aquela estória que você deseja que todos conheçam? A primeira leitura de 2014 não poderia ter sido mais especial. Se você acha que contei demais, está enganado. A estória é um crescente de sentimentos tão profundos e delicados que nenhuma resenha gigante seria capaz de transmiti-los fielmente.

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7 Comentários

  • GonçalvesSue
    03 fevereiro, 2014

    A capa e o título desse livro me chamou muito a atenção. Li um livro chamado A casa de vidro e me apaixonei. E sua resenha mostrar que a história é extraordinária , já ta na lista..

  • Shadai
    17 janeiro, 2014

    Tem vezes que leio uma resenha e acho que o resenhista exagerou por ter gostado tanto. Mas, não é o caso dessa resenha. Consigo perceber que os elogios não foram à toa. Parece ser uma linda estória, muito sensível, e cheio de emoções variadas ao longo da obra.
    Durante a resenha cheguei a pensar que você estivesse contando muitas coisas que devem acontecer depois da metade do livro, mas tudo bem.
    Se eu puder lerei esse livro, com certeza!

  • Ariana Oliveira Gomes
    10 janeiro, 2014

    Gente, esperava outra história, sério. Agora tô com medo de lê-lo, deve ser muito triste, quase choro com a resenha pois já imagino onde isto vai dá… Acho que não tenho preparação para ler este livro agora… É muito forte para o início de ano.
    Vou colocar ele aqui na lista de desejados, mas com a certeza de que não terei coragem de lê-lo nem tão cedo…

  • Fernando Gonçalves
    05 janeiro, 2014

    Nunca tinha visto esse livro em nenhum outro lugar, mas como já disse, você Felipe, tem o dom de adicionar livros à minha lista (essa não pára de crescer nunca mais), e com esse livro não foi diferente. Simplesmente amei tudo nessa resenha e tudo me deixou com vontade ler esse livro <3
    A capa está linda demais :3
    É sempre meio melancólico, mas chorar por causa e durante um livro é ótimo. Quer dizer, é quando você consegue realmente pensar e dizer "Esse autor é O autor", porque é aí que você vê o quanto a história é boa e envolvente. Esperando ansiosamente para lê-lo <33

  • carol della torre
    04 janeiro, 2014

    Eu estou louca para ler esse livro, mas veio enrolando a meses. A sua resenha foi o empurrão que eu precisava para começar, então obrigada haha Vou correndo começar a leitura e espero amar tanto quanto você.
    Beijos, http://rehabliteraria.blogspot.com.br/

  • Carol Barboza
    03 janeiro, 2014

    Ahh eu quero DEMAIS ler esse livro, e essa resenha só serviu para despertar ainda mais a minha vontade! rs PRECISO. ♥
    Me convenceu inteiramente. Gosto muito de temas tocantes e sensíveis assim…
    Beijo
     Just Carol