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Garota Ranho é HQ sobre vida real, redes sociais e depressão

Publicado em 15 ago, 2018

Garota Ranho – Bryan Lee O’malley, Leslie Hung, Érico Assis

ISBN-10: 8535930655

Ano: 2018 / Páginas: 136

Editora: Quadrinhos na Cia.

Classificação: 

Do mesmo criador do fenômeno Scott Pilgrim, Garotaranho é uma das séries mais ousadas, engraçadas e espertas dos quadrinhos atuais. Lottie Person é uma blogueira de moda que vive uma vida absolutamente incrível — ou pelo menos é o que ela quer que você acredite. A verdade é que sua alergia está fora de controle, seu nariz não para de escorrer, o namorado a trocou por uma garota mais nova e é possível que ele tenha cometido um homicídio. Este é o primeiro volume do sensacional Garotaranho, de Bryan Lee O’Malley, criador de Scott Pilgrim, e da desenhista Leslie Hung.

A discussão do momento, a nível mundial, gira em torno de empreendedorismo, redes sociais e depressão. Sabe aquela velha questão sobre a vida online ser uma farsa maquiada para vender a perfeição? Bem, enquanto empresas usam digital influencers para fazer negócios, jovens (e adultos também, viu?) se vêem inundados de conteúdo por todos os lados. Um conteúdo que parece sussurrar o quanto suas vidas são miseráveis e bem distantes da realidade incrível de viagens, roupas e relacionamentos perfeitos. O primeiro volume da série Garota Ranho é muito sobre isso: não saber o que fazer com a própria vida enquanto o mundo todo parece estar sendo bem sucedido em absolutamente tudo. Há uma pressão sobre isso.

Lottie Person poderia ser qualquer um de nós, mas ela tem milhares de seguidores nas redes sociais. Mais que isso, ela é uma influencer do mundo da moda. As pessoas querem saber onde ela está, o que ela veste e o que comeu no jantar. Para se ter uma ideia, a protagonista dessa história possui uma estagiária para auxiliá-la nessa missão. O que ninguém sabe é que Lottie está longe de ser tão impecável como suas fotos a apresentam. No decorrer das páginas conhecemos uma garota frágil e solitária. Um tanto que fútil, mas ainda assim humana. Não se engane, o autor personificou a patricinha classe AA com todos os estereótipos possíveis, mas ao mostrar a vida real da personagem, a HQ nos guia por uma série de problemas que despertam certa empatia no leitor. É uma relação dúbia na verdade.

As melhores amigas de Lottie também são desse universo instagramável e parece que cada uma delas está mais preocupada em acumular likes que bons momentos juntas. Cada uma pertence a universo/nicho diferente. É muito engraçado acompanhar, por exemplo, a blogueira no “modo casamento”.

A popularidade online não se repete na rotina diária da Garota Ranho, aliás o título do quadrinho se dá pelo fato de Lottie ter uma alergia  sinistra que a faz expelir um muco nasal infinito quando está nervosa ou ansiosa. Se a tradução fosse em termos nordestinos seria algo semelhante a Garota Catarro.

Lottie é ansiosa, insegura e instável. Solidão combina com o que vi e li de seu comportamento. Além de perder o namorado para uma garota fora dos padrões imaginados por ela como aceitáveis para substituí-la, ela se tornou cobaia de um tratamento com medicamentos experimentais. Tudo vale quando falamos de saúde? Os riscos são pontuais…

O que guia o enredo é o surgimento de uma anônima misteriosa disposta a se tornar famosa com a ajuda de Lottie. A história cresce com o envolvimento das duas e um crime na calada da noite. Entre stalkeadas e eventos sociais constrangedores, algo de perigoso passa a se fazer presente. O medo que se instaura muda o tom do quadrinho e tudo caminha rápido para um desfecho de deixar qualquer um ansioso pela continuação.

Os traços são a lá animes japoneses e as cores vibrantes – como um desfile de grife tende a ser. A linguagem é a que usamos nas redes sociais, repleta de abreviaturas e estrangeirismos. Fácil de ler e se identificar por toda a atmosfera construída e pensada nos mínimos detalhes. Vale ressaltar que Garota Ranho aborda assuntos bem pontuais como sexualidade e drogas. O erotismo está em muitos diálogos e entrelinhas que não devem passar despercebidas, já que são a cereja do bolo.

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