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Sonhos Elétricos é a coletânea de contos Sci-fi para você se apaixonar por Philip K. Dick

Publicado em 17 ago, 2018

Sonhos Elétricos – Philip K. Dick
ISBN-13: 9788576573975
Ano: 2018 / Páginas: 256
Editora Aleph
Classificação: 

Philip K. Dick foi um dos maiores nomes da ficção científica em todo o mundo e encabeça, também, a lista dos autores do gênero mais roteirizados em Hollywood. Os dez contos de sua autoria reunidos nesta edição foram adaptados para a série televisiva britânica Electric Dreams, uma antologia de histórias futurísticas que, ao mesmo tempo, ilustram a visão profética de Dick e celebram o eterno apelo midiático de sua obra. Seguindo o que a literatura de Dick tem de melhor, os contos de “Sonhos elétricos” apresentam cenários familiares, mas ao mesmo tempo estranhamente distorcidos, e têm o poder de questionar a realidade e tirar o leitor de sua zona de conforto.

Meus primeiros contatos com obras de ficção científica foram permeadas de muito receio. Normal, né? Sempre imaginei que fosse me deparar com textos complexos, repletos de referências à Física e Química que eu jamais entenderia. A verdade é que a ciência e o tom futurista existe em todas essas histórias, mas não é tão assustador assim. Na verdade a prática faz com que se torne menos doloroso refletir sobre todas as suposições imaginárias que os sci-fis nos obrigam a enfrentar. Como se o presente não fosse assustador o suficiente, Philip K Dick escreve sobre um futuro que anda mal das pernas. A cada livro do autor que termino  fico martelando na cabeça: o que será da humanidade e onde ela chegará?

Sonhos Elétricos reúne 10 contos escritos por PKD no início de sua carreira. Alguns fãs contam que ele melhorou e muito com o tempo, então posso afirmar que o cara é um gênio. Eu simplesmente adorei todos os textos que li nessa edição coletânea da Aleph. Aliás, a publicação aconteceu derivada da série “Eletric Dreams”, lançada neste ano pelo serviço de streaming da Amazon. Vale ressaltar que o autor é mais um dos que não fez sucesso enquanto era vivo. No livro, os roteiristas responsáveis pela adaptação de cada conto dão um parecer sobre suas percepções e mudanças durante o processo criativo. Admito que alguns comentários são bem bacanas, outros desnecessários.

Em Argumento de Venda os personagens estão situados num espaço-tempo em que viagens entre planetas e órbitas distintas é possível em poucas horas. A parte ruim é que, infelizmente, o trânsito continuará sendo um dos problemas intrínsecos a vida em sociedade. Imagine um engarrafamento daqui até Júpiter? Nesse trajeto, anúncios e comerciais de venda se apresentam em todos os formatos possíveis em busca de um contrato e adesão a algum serviço. É assustador e invasivo o suficiente até que Morris chega em casa. Na calada da noite a campanhia toca e um robô está lá. O problema? Ele tem uma missão: ser comprado. E para isso ele vai se vender. Ele está programado para isso e não vai desistir até que consiga o feito. Suas capacidades e força infinitas são tentadoras, mas algo na obrigação em tê-lo torna tudo bizarro. O desfecho é tão surreal quanto.

Meu segundo conto predileto foi nomeado de O Enforcado Desconhecido, sendo o que finaliza o livro de forma magistral. Poucas histórias me fizeram querer gritar e essa é uma delas. Insano! Imagine que você está tranquilo, indo para mais um dia de trabalho quando percebe um homem morto pendurado em um poste no meio de uma avenida. Não uma rua qualquer, mas uma movimentada, onde centenas de milhares de pessoas passam todos os dias, todas as horas. Suicídio? Assassinato? Alguma brincadeira de mal gosto? Ninguém sabe te responder porque ninguém liga. Não há ninguém chocado ou tentando entender o ocorrido. Ninguém o enxerga.

Parece impossível ou no mínimo inusitado, mas o que acontece a partir disso conversa tanto, tanto com o que vemos estampando capas de jornais e manchetes de reportagens de TV. É tudo o que o nosso explorar do Instagram nos mostra. É sobre a banalização da violência e como a morte, o horror e tudo o que envolve o outro, quem está do nosso lado, já não importa mais. O que é, de fato, necessário para chocar e gerar desconforto? Falta empatia, respeito e limites.  Sobra o vale tudo pela audiência.

PKD ainda apresenta cenários intergalácticos, futuristas e até nostálgicos para discutir sobre capitalismo, liberdade, individualidade, comportamento e crenças.

Equipamentos modernos substituindo mão de obra humana não é novidade para ninguém, mas e se a automatização dos meios de produção tivesse dizimado o mundo? Qual seria a saída? Se é que ela existe… Em outro momento o autor conta sobre um Estado que tem livre acesso aos pensamentos de qualquer individuo. Usar um gorro, por exemplo, seria um crime. Que tipo de pensamento você tem que não gostaria de compartilhar com ninguém? E se o seu objetivo de vida fosse decolar para um lugar que não existe mais? Um lugar que só você conheceu e pode criar as memórias mais lindas do mundo?

Eu poderia discorrer sobre cada um desses contos, mas encerro com Foster, você já morreu. A sociologia me mostrou que o capitalismo tem criado em nós desejos e necessidades que nunca existiram antes. O celular do momento que tira fotos em zil megapixels, o carro que dirige sozinho, a roupa que emagrece… PKD reflete sobre excesso, sobre o necessário e deixa claro que daqui pra frente (desde os anos 1950) cada mísera escolha da evolução humana pode significar o fim.

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