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[Resenha] As estranhas e belas mágoas de Ava Lavender – Leslye Walton

Publicado em 09 fev, 2015

As estranhas e belas Mágoas de Ava Lavender – Leslye Walton
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581635941
Ano: 2014
Páginas: 304
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Gerações da família Roux aprenderam essa lição da maneira mais difícil. Os amores tolos parecem, de fato, ser transmitidos por herança aos membros da família, o que determina um destino ameaçador para os descendentes mais jovens: os gêmeos Ava e Henry Lavender. Henry passou boa parte de sua mocidade sem falar, enquanto Ava que em todos os outros aspectos parece ser uma jovem normal nasceu com asas de pássaro. Tentando compreender sua constituição tão peculiar e, ao mesmo tempo, desejando ardentemente se adaptar aos seus pares, a jovem Ava, aos 16 anos, decide revolver o passado de sua família e se aventura em um mundo muito maior.

Resenha:
Parece que Leslye Walton concentrou tudo que me chama atenção em um livro logo à primeira vista: um título gigante e uma capa minimalista. A orelha do livro não diz muito. Já o comentário da autora de “A Seleção” (Kiera Cass) na contra capa faz muito mais sentido para quem leu. Há quase duas semanas terminei essa leitura, a classifiquei como favorita e ainda não consegui organizar os elogios para escrever essa resenha. Dei um passeio por opiniões alheias e fiquei surpreso ao me deparar com comentários negativos sobre a obra. Como alguém pode não ter amado (surtado) com essa história? Quem ousou abandoná-la?

Amo árvores genealógicas. Acho encantador viajar por gerações e descobrir o que cada personagem acabou herdando de uma avó distante, de um tio mais próximo. Acabo atribuindo valor aos autores que conseguem narrar esse tipo de situação sem transformar tudo em algo chato e cansativo. Apresentando as aventuras da família Roux, a autora não só contextualizou uma problemática como também me fez suspirar com a poesia presente em sua escrita. Ela narra o fantástico da forma mais natural possível, aproximando tudo da normalidade e dando um toque único a isso.

Quem narra o livro é a Ava Lavender do título. Ela não é uma garota normal e rebelde de 16 anos que tem amigos, namora e sai à noite. Ava nasceu com asas e viveu boa parte da vida escondida na casa onde mora, no alto de uma colina em Pinnacle Lane. (Amo a sonoridade dessa palavra, li em voz alta todas as vezes). Sem respostas para as perguntas que sempre a perturbaram, ela passa a pesquisar sobre sua família numa tentativa de entender as estranhezas que sempre circundaram sua existência.

É complicado e até injusto explicar o que  Ava descobre sobre cada geração de sua família. A ida de seus bisavós para a América acaba culminando em uma série de desgraças responsáveis pela morte de quase todos os membros, menos um: Emillienne Lavender, avó de Ava. Infeliz e casada com um homem que nunca amou de verdade, Emillienne passa a ser assombrada pelos fantasmas dos irmãos – aqui está um dos detalhes mais legais da história: todos morreram de amor. Cada morte é envolta de um mistério bizarro e doloroso. Percebe-se que o fardo a qual todos os Roux estão fadados a carregar é amar e sofrer.

Outro núcleo da história é a padaria em que a vó de Ava trabalha, já no alto da colina onde a garota com asas mora. Sabe aquele clima de cidade pequena onde todos se conhecem e as fofocas tem um peso avassalador? Juntem isso a  um cenário onde as pessoas acreditam em bruxas e são supersticiosas ao extremo. Pronto, Pinnacle Lane! (Em voz alta, gente!) A filha de Emilliene, Viviane Lavender também protagoniza momentos apaixonantes de acompanhar. Dona de um dom que a permite sentir o cheiro de todas as coisas e interpretá-las de forma premonitória, ela vive uma paixão platônica há anos e esquece de enxergar quem esteve do seu lado sempre que precisou.

O que faz alguém permanecer do nosso lado por tanto tempo? Será que a vida pode machucar tanto alguém a ponto desse alguém negar-se ser feliz por ter medo? As tragédias, inseguranças, vitórias e sorrisos que Ava descobre estão sempre acompanhadas de surpresas que caminham para o desfecho. A partir do momento em que a nossa narradora ganha maior espaço e passa a ser uma personagem que age na trama, a dúvida se instala: se Ava tem asas por que ela não consegue voar? E poxa, cada capítulo, cada reflexão, cada passo que ela dá pra provar que pode, que é maior que todas as bizarrices que a cercam, é lindo de se ver. É bonito a forma como a autora encerra cada momento triste. Ava terá sua própria tragédia particular, tão perturbadora quanto todas as outras.

O voar de Ava Lavender não é apenas bater as asas de pássaro que ela tem. Voar é ser ela mesma. Aceitar quem sempre foi e ficar bem. Sorrir apesar de tudo parecer estranho.

 

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