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[RESENHA] Dumplin’ – Julie Murphy

Publicado em 24 jul, 2017


Dumplin’ – Julie Murphy
ISBN-10: 8558890315
Ano: 2017
Páginas: 300
Editora: Valentina
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Especialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, apresentamos uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha, e a busca da autoaceitação. Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e “estou acima do peso e ninguém tem nada com isso” fazem de Dumplin’ um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre. Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo… até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular… e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca.

Resenha: 

O problema com a auto estima é que ela, infelizmente, não depende apenas da gente. Não é algo tão pessoal assim. Não faz jus ao “auto” da palavra. É um conjunto de fatores. O reflexo que a gente vê no espelho é influenciado pelo que acontece fora do nosso quarto. Do nosso mundinho seguro. Como eu posso me achar bonito e forte o suficiente para enfrentar o universo quando não consigo acreditar em mim mesmo? Representatividade importa. Sentir-se sozinho não colabora no processo de crescimento. Estar sozinho é diferente de se sentir único.

E quando você foge dos padrões que a mídia tanto defende isso complica ainda mais. Eu tenho minhas inseguranças, claro, mas hoje eu sinto que não me abalo tão facilmente. Em Dumplim, a protagonista é gorda, e acho que a gente pode usar, sim, essa palavra sem soar ofensivo. Porque é uma verdade. E as verdades devem ser ditas sem causar espanto. As verdades representam o impulso necessário para o próximo passo, que não é emagrecer ou adotar a dieta do momento. O próximo passo parte de dentro para fora. É simplesmente se entender. Aceitar-se e abraçar a guerra. Não há nada que você não consiga. A primeira e mais valiosa decisão é não se autossabotar. Depois vem a autoestima. E todos os autos que você achar importante.

Diferente da maioria das adolescentes do Texas, Dumplin’ nunca se viu desfilando em trajes de banho e discursando sobre a paz mundial para vencer um concurso de beleza. Diferente da sua mãe, uma das vencedoras mais emblemáticas desse mesmo concurso, ela não é magra ou cabe num vestido de gala número 38. Willowdean Dickson já aprendeu a lidar com os olhares tortos e comentários ofensivos. Ela não se esconde, não quer emagrecer e está muito bem, obrigado, até que sua rotina é alterada por perdas e um amor. Ela se vê obrigada a sair de sua zona de conforto.

Willow nunca foi muito próxima da mãe. Sua tia Lucy sempre foi mais presente nesse papel. Mas Lucy morreu dezenas de quilos acima do peso e parece que nenhuma das duas, nem Willow e sua mãe, sabem como seguir em frente sem apagá-la de uma vez da memória ou mantê-la num quarto que expira tristeza e sonhos não realizados.

Quando Dumplin’ se vê afastada de sua melhor amiga de infância e arrodeada de garotas que a veem como um exemplo, ela decide ir além. Não que ela queira ser algum tipo de heroína, mas segredos do passado de Lucy mostram a ela que nada é impossível quando se tem coragem. Willow simplesmente vai. Ela não quer vencer e ganhar uma coroa. Ela quer comprovar que praias não são exclusivas para modelos de corpos sarados. Ela quer provar que qualquer um pode ser lindo por fora também. Ela quer marcar presença em um evento voltado para magricelas para mudar um cenário distorcido e errado.

Cada capítulo desse livro me relembrou um ensinamento importante sobre como é difícil viver em sociedade. Não por eu ser antissocial, pelo contrário. A obra de Julie Murphy só reforçou o que eu mais prezo na vida, que é considerar as consequências de tudo que faço e deixo de fazer. Willow, apesar de ser muito mais forte que 90% dos adolescentes que a gente conhece, possui suas fraquezas. Claro que possui. E acho que isso faz dela um personagem que deveria ser conhecido em sala de aula. Eu voto em Dumplin’ para leitura obrigatória no ensino fundamental. Porque ela mostra que para conquistar algo é preciso, primeiro, vencer as próprias batalhas interiores. Uma percepção que talvez não esteja sendo tão exemplificada nos primeiros anos de estudo.

Se você sentiu falta de um romance até agora nessa resenha, calma, que tem e muito. Willow se vê entre dois caras, inclusive. Dois jovens que se apaixonam por tudo que ela representa. Ela é linda. E sabe o que impede ela de viver qualquer um desses amores? Insegurança. Ela se acha incapaz, menor. Ela tem medo do que os outros vão pensar ao vê-la do lado de rapazes populares e bonitos. Como se ela não estivesse preparada para enfrentar os comentários, entende? E meu coração doeu quando eu li todas as reflexões dela. Até externa-las, de fato, é um longo caminho. E ao final de todo esse percurso a gente entende duas coisas: a primeira é que se amar é, mesmo, mesmo, mesmo, o essencial. Chega a ser suficiente até. Compreender que nossa gengiva saliente, cabelo crespo, quilos a mais ou nariz avantajado é parte de quem somos e de quem seremos no futuro. É motivo de orgulho porque, ei, é único. Você precisa encarar. Você precisa escolher a forma de encarar tudo.

E a segunda coisa é que amor a dois não se sustenta sozinho. E se, depois do amor próprio e do reconhecimento das próprias virtudes, ainda assim você não achar que pode segurar a mão de alguém e fazer jus a um “sim”. É melhor não tentar mesmo. Até para fracassar você precisa estar disposto. Não estou falando de pessimismo. Estou falando de ser fiel ao que se sente. É sobre verdade e entrega.

Willow precisa descobrir um talento para expor no concurso de beleza e pensar nas vestes dos desfiles enquanto ajuda suas novas amigas a serem fortes e encararem o desafio como ela, de frente. Willow precisa se entender com a mãe e viver o luto de um jeito mais saudável. Willow precisa resgatar a amizade mais importante de sua vida e viver um amor sem poder dividir dúvidas e frios na barriga. Willow precisa apenas ser ela mesma para realizar tudo isso e mais um pouco.

Felipe Miranda

Felipe Miranda

Sou redator, produtor de conteúdo, freelancer 24h e quase jornalista. Não consigo ficar quieto. Criei o OMD aos 15 anos e de lá para cá já vivi um mundo inteiro de histórias malucas (sem nem sair de casa).

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