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Livraria Martins Fontes

[Resenha] Refúgio – Harlan Coben

Publicado em 04 abr, 2015

Refúgio – Harlan Coben
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580410723
Ano: 2012
Páginas: 222
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Apresentado ao público pela primeira vez no suspense Alta tensão, Mickey Bolitar se vê obrigado a ir morar com seu tio Myron, um ex-agente do FBI, após testemunhar a morte do pai e internar a própria mãe numa clínica de reabilitação. Agora o rapaz precisa se esforçar para conviver com o tio, de quem nunca gostou muito, e ainda se adaptar ao novo colégio. Para sua sorte, ele logo arruma uma namorada, a doce Ashley, que também é nova na escola. Quando sua vida parece estar entrando nos eixos, o destino lhe reserva uma surpresa: Ashley desaparece misteriosamente. Determinado a não perder mais uma pessoa importante em sua vida, Mickey contará com a ajuda de seus novos amigos, os excêntricos Ema e Colherada, para seguir o rastro da namorada. Para piorar, uma idosa reclusa da vizinhança lhe conta que seu pai ainda está vivo, sem dar maiores explicações. Quando esses dois mistérios se cruzam, Mickey descobre que está envolvido numa rede de intrigas que o levará a questionar a vida que acreditava ter. Perspicaz e esperto como o tio Myron, Mickey está disposto a fazer tudo o que for preciso para salvar as pessoas que ama.

Resenha:
Temos um dilema aqui. Refúgio não é o melhor livro do Harlan Coben, mas como não recomendá-lo para quem é fã? Desde que conheci a escrita do autor seus livros são lei em minha estante. Ainda não consegui ler todos que já foram lançados, mas é uma meta de vida, sabe? Uma dose de Coben mensal é mais que necessária.

Refúgio é o primeiro livro de uma série voltada para Mickey, sobrinho do Myron Bolitar (sim, aquele de outra série). Logo, o personagem adolescente é quem narra tudo o que acontece. Para quem está acostumado em ler suspenses policiais narrados por personagens adultos e dotados de experiências de vida se deparar com uma “criança” contando sobre um mistério em que está envolvida é uma mudança bem drástica. O leitor percebe que é o Coben escrevendo e ao mesmo tempo fica em dúvida. É novo, menos sólido e até irritante em alguns momentos. Estamos na mente de Mickey. Uma mente inquieta e imatura.
Os personagens que Coben cria são dotados de vidas. Parecem escapar das páginas. Nunca são apenas personagens que passam por uma determinada situação. Cada um possui dilemas pessoais que ultrapassam a problemática central da história. Aqui não é diferente e a faixa etária do protagonista é que determina esses dilemas que serão apresentados. Ora, se Mickey é menor de idade e enfrenta uma pós pré-adolescência, claro que suas maiores dificuldades serão coisas do tipo: “a garota da minha vida não me dá bola”, “os valentões do colégio me perseguem”, “quero saber tudo sobre o meu pai”, “odeio meu tio”.
Mickey perdeu o pai em um acidente de carro e está prestes a perder a mãe também. A morte deixou a mulher desnorteada e ela vive entrando e saindo de uma clínica de reabilitação para usuários de drogas. A namorada desapareceu sem deixar rastros e uma velha moradora de uma velha mansão abandonada acaba de revelar para o garoto que na verdade seu pai está vivo. Detalhe e spoiler de leve: a senhora morreu há anos. A trama se desenrola com ele tentando esclarecer cada enigma macabro que surge em seu caminho, evitando o contato com o tio. Para ser sincero, Mickey é um protagonista chato salvo pelos personagens secundários, que são seus novos e únicos amigos Colherada e Ema. Sim, são adolescentes estranhos e excluídos socialmente. Sim, eles são incríveis e deveriam ganhar uma série voltada para os dois.
Devo ressaltar que Coben conseguiu, mesmo em uma trama aparentemente fácil e impossibilitada de grandes realizações, inserir elementos da Segunda Guerra Mundial no meio disso tudo. É aquele momento em que o leitor fica encantado e tem a certeza da mente genial por trás do livro. Parece clichê e é mesmo. Talvez para os leitores mais jovens tudo isso funcione muito bem, para quem conhece obras grandiosas do autor nem tanto. É uma trilogia que pretendo terminar com expectativas bem baixas.
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