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Encarcerados é thriller tecnológico com robôs inseridos na sociedade e representatividade

Publicado em 21 ago, 2018

Encarcerados – John Scalzi
ISBN-10: 8576573202
Ano: 2018 / Páginas: 328
Editora Aleph
Classificação: 

Um assassinato ocorre em um quarto de hotel em Washington. Junto à vítima está um homem banhado em seu sangue, que alega não ter sido responsável pelo crime. O caso logo se torna da alçada do FBI, pois envolve uma nova e especial classe de indivíduos. Os hadens são pessoas que, devido a uma síndrome, tiveram sua mente encarcerada em um organismo imóvel. Para viver em sociedade, eles transferem sua consciência para estruturas robóticas ou alugam o corpo de indivíduos saudáveis. A investigação desse assassinato leva agente Shane e sua parceira Vann não apenas a mergulhar no mundo dos hadens, mas a descobrir uma rede de interesses políticos e econômicos envolvendo sua cultura e seus veículos robóticos.

Depois de conhecer a escrita de John Scalzi em Guerra do Velho, minhas expectativas com tudo o que ele lança estão lá em cima. Felizmente Encarcerados fez jus ao que eu estava esperando e o livro é, sem dúvidas, uma das ficções científicas mais envolventes que li em 2018. O motivo? A trama é, na verdade, uma investigação policial dentro de um cenário futurístico bizarro que se torna relevante por discutir representatividade e políticas públicas para pessoas com deficiências físicas. Sim, o autor conseguiu.

Um epidemia viral atingiu todo o globo e matou 400 milhões de pessoas. O 1% restante da população que sobreviveu as várias ondas da Síndrome de Haden estão acamadas, vegetando sem a capacidade de piscar um olho sequer.

Encarceradas em suas próprias mentes.

Apesar de seus corpos estarem mortos, suas consciências estão intactas. A solução para isso foi encontrada pela ciência e robótica: surgiram então os C3. Robôs capazes de sustentar o intelecto desses indivíduos, fazendo com que eles tenham vidas normais. Estamos falando de inclusão, sabe? O governo não condenou esse povo ao esquecimento. Pelo contrário, os investimentos absurdos no segmento fizeram com que a sociedade geral evoluísse muito a ponto de pessoas comuns, que não foram afetadas pela doença, terem a possibilidade de alugar seus próprios corpos e cérebros para os hadens.

Estes são os integradores. Houve uma preocupação em reinserir pessoas aparentemente inválidas na sociedade e isso é muito grandioso. Apesar de seus corpos virarem carcaças, suas mentes continuaram saudáveis. Scalzi apenas atualizou as definições de corpo.

Hoje eu lutei com um C3 ninja, vi duas mulheres assistindo ao último vídeo de um parente morto, vi uma mulher explodindo a 6 metros de distância e assisti ao meu pai matando um intruso com uma escopeta.

Nesse thriller tecnológico, um crime complicado envolvendo integradores põe em cheque a confiabilidade e segurança que as redes neurais representavam até então. Uma série de incidentes na cidade chama a atenção do FBI e a primeira semana de trabalho de Chris Shane vai ser movimentada por vários motivos: ele é um haden, ele é filho de um candidato ao Senado, também haden, e toda a sua infância foi vivida sob os holofotes como um garoto propaganda da vida pós-epidemia. Não se espante quando perceber que em momento algum o autor define o gênero do personagem. O agente Shane é mesmo um homem? Quando a ficha cai todo leitor vai ser obrigado a rever conceitos e percepções machistas. Mas tudo bem, estamos caminhando para um mundo melhor e menos preconceituoso.

Aliás, obrigado, Scalzi! O elenco do livro é rico demais. Literalmente. É muito dinheiro em jogo, mas a representatividade também se destaca. Temos uma nação indígena, empresários homossexuais e mulheres poderosíssimas na trama. É uma legítima conspiração do mundo dos negócios.

Shane abandona a fama numa tentativa de sentir-se útil para o mundo. A apuração do FBI se desenrola enquanto o conhecemos melhor, bem como sua parceira, a investigadora Vann, ex-integradora alcoólatra e misteriosa. Com esses dois os diálogos são ferozes, viu? Aliás, é um ponto forte do livro. Muito se diz nessas conversas existenciais dos dois. A narrativa emperra quando surgem as explicações mais técnicas de como todo esse universo funciona. É de se esperar, né? Não podemos achar que transferir a mente de um ser humano para um robô ou outro ser vivo pensante seria algo fácil de destrinchar.

Outros dois pontos essenciais para a construção dessa história são o Ágora e o Projeto de Lei Abrams Kettering. O primeiro é uma espécie de realidade virtual voltada para os hadens. Um ambiente privativo que os permite existir online e de forma pessoal. O segundo é a resposta da oposição contra todos os benefícios cedidos pelo governo para o comércio e reestruturação dos hadens na sociedade. Não é spoiler dizer que a aprovação dessa lei está intimamente ligada aos crimes presentes nesse enredo.

Melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.

Seria um tanto exaustivo e extenso explicar os pontos que fazem desse livro mais completo e complexo do que parece, então recomendo a leitura com calma e atenção. Para se ter uma ideia vaga do que falo, os C3 funcionam como medidores de classes sociais e status. Sabe quando a gente sabe da condição financeira de alguém pelo carro que ela anda ou roupa que veste? Shane passa o livro inteiro danificando os robôs que utiliza, então temos uma exploração vasta sobre o assunto. Ele é menos respeitado quando usa um robô velho e antiquado? Sim. E isso é um recorte pontual da vida que se leva hoje em dia. Preconceito, futilidade, constrangimento, bullying…

O livro ganhou uma sequência ainda sem previsão de lançamento no Brasil, mas Encarcerados possui início, meio e fim. Podem lê-lo sem neura. Leitura fluída e empolgante. Mais um presente da Aleph!

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