[Resenha] Guerra do Velho - John Scalzi

15 de jan de 2018
Guerra do Velho - John Scalzi
ISBN-10: 8576572990
Ano: 2016
Páginas: 368
Editora Aleph
Classificação: 

"Guerra do Velho" é frequentemente comparado a um dos maiores clássicos da ficção científica: Tropas Estrelares, de Robert Heinlein. O próprio Scalzi já confirmou que Heinlein é uma das suas maiores influências e que a obra foi escrita seguindo os princípios que ele acredita serem próprios da escrita do autor que tanto admira. Scalzi é um dos principais nomes da ficção científica contemporânea. Ganhador dos prêmios Hugo e Locus, o autor conquistou público, crítica e mercado. Em fevereiro de 2015, fechou um contrato com a editora Tor Books de cerca de $3,4 milhões, para publicar 13 livros nos próximos 10 anos. O canal SyFy está produzindo uma série de TV – chamada Ghost Brigades – como adaptação do livro, e a Paramount já comprou os direitos para levar a história para as telas do cinema.
Resenha:
Gosto de histórias envolvendo alienígenas, gosto de imaginar vida fora da Terra e gosto mais ainda quando toda essa ambientação no espaço sideral é humanizada. Porque é tão difícil imaginar sociedades tão organizadas quanto a nossa, vivendo e se desenvolvendo bem ali,  a anos luz de distância?  Em Guerra do Velho eu ri e encontrei quotes lindos enquanto os personagens enfrentavam batalhas sangrentas. Enquanto o autor fazia críticas sutis e esmagantes sobre o exército, a solidão e nossa forma de enxergar o para sempre.

John Perry perdeu a esposa em um dia qualquer, da forma mais banal possível. É que não houve um acidente de carro, barco ou avião. Nenhum assalto, sequestro ou atropelamento. O amor de sua vida morrera de velhice, por um derrame num domingo de manhã. Aos 75 anos tudo o que ele quer é não sentir saudade. Novos ares. Dói demais a vida sem ela. É por isso que ele se alista na Força Colonial de Defesa (FCD), o exército interestelar.

Preste atenção: quando se tem 25, 35, 45 ou até mesmo 55, ainda é possível sentir-se bem com as chances de enfrentar o mundo. Quando se tem 65 e o corpo está diante da ruína física iminente, esses ‘regimes e procedimentos médicos, cirúrgicos ou terapêuticos’ começam a parecer interessantes. Então chegamos aos 75, os amigos morrem e já trocamos ao menos um órgão principal, precisamos mijar quatro vezes durante a noite e não conseguimos subir um lance de escadas sem ficar zonzos – e dizem que estamos em muito boa forma para a idade. Trocar isso por uma década de vida nova em uma zona de combate começa a parecer um negócio e tanto. 

Estamos na época em que viajar pelo espaço é possível. Estamos na era em que a luta por território acontece entre planetas. Sigilo, modernidade e lendas urbanas rondam a existência da FCD. É que a tecnologia que ela detém não pode ser explicada por nenhum cientista na Terra. Como ir do chão firme até uma estação no meio da galáxia num elevador? Algo está acontecendo lá fora e a única chance da população continuar a nascer e se desenvolver é conquistando mais espaço.

Além de toda a aula de física que teremos durante a leitura, o que mais chama atenção é que as forças coloniais só aceitam homens e mulheres com mais de 75 anos. O motivo? É preciso ler para entender.
O que posso adiantar é que é necessário muita bagagem nas costas para aceitar o desafio de defender a Terra a bordo de naves espaciais. O que se tem a perder? E a ganhar? John vai passar por cirurgias grandiosas para se tornar um soldado invencível, quase imortal. Algo como mudar de corpo para uma versão mais nova de si e verde.

Armas não matam pessoas, os alienígenas atrás das armas sim. O relacionamento entre os soldados da FCD e a vida existente em cada ponto da galáxia é o mais interessante da história. É instigante, surpreendente e educativo. Raças superiores com ensinamentos superiores deixam um lastro de sangue e memórias. História pura. No final das contas, manter-se vivo é o mais importante, mas fica de lado, sabe? O livro é dividido em momentos. A primeira parte compreende reflexões até John se alistar e a segunda um treinamento pré-guerra e a própria rotina de batalhas e percas.  Quem diria que um livro sobre aliens me faria refletir sobre excessos e equilíbrio?

Um dos livros prediletos de 2017. 
Leitores de Tropas Estelares, de  Robert A. Heinlein, devem simpatizar com a obra. 
Ansioso pela sequência.

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