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Quando se troca nudes em público

Publicado em 08 nov, 2017

É inevitável flagrar algumas conversas de Whatsapp enquanto você está em pé no transporte público. Já disse da vez em que fui obrigado a acompanhar duas moças trocando nudes masculinas alheias enquanto rezava por um acento vazio e distante delas duas? Prefiro não me aprofundar, mas elas não só enviavam uma para outra como também discutiam aspectos físicos tipo tamanho e tonalidades.

Uma feira.
Desconstruídas e livres.
Não posso julgar.
Achei sensacional.
Era um banco de imagens real.
Quase um Getty Images +18.

Semana passada presenciei outro causo peculiar. Dessa vez apenas triste.

Eu não consegui entender o que a moça que estava sentada confortavelmente a minha frente fazia olhando para o lado de fora da janela. Era como se ela procurasse um sentido para a própria existência. Perdida no tempo. Um semblante sofrido, sabe?

Bastou uma olhadela marota para o celular que ela segurava na mão para eu entender. Algum rapaz que ela nomeou de “Amor” se defendia na conversa do Whatsapp.

– Eu juro que nunca mais vou dar moral para o Paulão. Ele não vai mais existir entre a gente.

Ela lê, fecha a conversa e bloqueia o celular. Pensa um pouco enquanto vê a avenida Fernandes Lima passar lentamente pelo canto do olho. Torna a desbloquear o aparelho e digita. Para. Apaga. Repensa. Nesse tempo eu percebo que Paulão não é apenas um amigo do namorado (?) dela.

– Você é traiçoeiro. Mentes tão bem. Não quero acreditar em você outra vez para…

Paro de ler. Desvio o olhar porque percebo que ela digita textões e ele frases soltas, apressadas, suplicantes de certo modo. Não sei se é um relacionamento aberto ou se ela foi traída com esse Paulão. Enquanto reflito sobre isso vejo ela apagar tudo que tinha escrito e finalizar:

– Essa conversa me deu pirrita. Você só me traz desgosto.

Eu me afastei porque, analisando todo o cenário de longe, me pareceu o mais sensato. Aliás, para qualquer um dos envolvidos na situação. Então a dica é: não troquem nudes em público (ou troquem) e não admitam a existência de Paulões (essa eu preciso reforçar. Não admitam mesmo).

Felipe Miranda

Felipe Miranda

Sou redator, produtor de conteúdo, freelancer 24h e quase jornalista. Não consigo ficar quieto. Criei o OMD aos 15 anos e de lá para cá já vivi um mundo inteiro de histórias malucas (sem nem sair de casa).

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