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“Mulheres na Luta” é a HQ sobre feminismo que todo mundo deveria ler AGORA mesmo!

Publicado em 17 dez, 2019

Mulheres na Luta – Marta Breen

Ano: 2019 / Páginas: 128

Editora: Seguinte

Classificação:

Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade. Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres — pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar.

 

Um fato incontestável: Estamos em um momento onde o movimento feminista está super em alta no mundo. Muitos livros, matérias em jornais, revistas, séries, televisão e filmes recentes vem mostrando como a mulher está cada dia mais consciente do papel enorme que exerce no mundo, e não apenas como adorno da vida de um homem. 

Mais e mais contas no Instagram são criadas diariamente para que mulheres ajudem mulheres com mensagens de apoio e novidades acerca dos direitos delas, ou das coisas escrotas que os homens podem fazer. Estamos em um “boom” de feminismo, e sei disso porque eu, até então alheia a causa, entendi de uma vez por todas que toda mulher é — ainda que não admita — feminista de algum jeito. 

Quando a oportunidade de pedir uma HQ sobre feminismo surgiu, não pensei duas vezes antes de solicitar. Primeiro porque estou numa vibe de ler HQ’s (peco muito por deixar de lado essa cultura), e depois porque é um tema muito forte em mim nos últimos tempos. Eu hoje me enxergo feminista. Quero ainda vir a ser uma militante no assunto, mas por enquanto estou em momento de estudo e posicionamento com as pessoas mais próximas a mim. A gente começa a mudar o pensamento do mundo pela nossa própria casa, não é? 

A HQ vai contar um pouquinho da história do feminismo, mostrando grandes mulheres que lutaram pela causa e abriram as portas para que hoje a gente tenha direito a usar um contraceptivo, por exemplo, ou trabalhar e conseguir o nosso próprio sustento sem depender de ninguém. De modo divertido e bastante reflexivo, o texto da HQ serve tanto para os mais jovens quanto para os mais velhos entrarem no assunto sem precisar ser especialista nele.

 A HQ não tem intenção de fazer um retrato histórico fiel ao feminismo, mas nos mostrar como de pouquinho se conquista o mundo, e que em toda luta social, mesmo que com baixas consideráveis, a gente tem uma melhora para as pessoas que virão lá na frente. 

Algumas dessas mulheres incríveis morreram buscando por direitos simples. Por uma igualdade que custou — e ainda custa — muito a chegar. Hoje temos uma evolução considerável, comparado há cem anos atrás, mas ainda há uma divisão cultural sobre o que é para ser de mulher e o que é para ser de homem. A gente nem precisa ir longe para ver isso. Dentro de casa mesmo encontramos provas disso. 

Aqui é comum eu tarde da noite estar ensinando tarefa das crianças, arrumando o guarda-roupa ou lavando pratos, quando o marido está deitado no sofá jogando com o celular. Hoje em dia temos brigas por causa disso, e ele estranha porque eu nunca fui de reclamar. Fazia porque ele era lento fazendo, ou fazia mal feito. Achava que era meu trabalho como esposa. Hoje em dia eu deixo a metade para ele, gostando ou não. Fazendo errado ou não. Uma hora ele aprende. O ser humano tem o incrível poder de aprender coisas. E sabe o que ouço dele quando deixo o cesto de roupa limpa esborrar até cair no chão? Que eu devia parar de ler sobre feminismo porque isso está me mudando. Não, gente, ele não é uma pessoa ruim, só aprendeu desde cedo que o papel da mulher era aquele, e mudar uma cabeça já formada é muito mais difícil do que mudar uma que está começando a se formar. 

Por isso achei esse livro relevante e importante para a garotada. Eu li ao lado dos meus filhos, e tive debates interessantes com o mais velho sobre os diversos assuntos que surgiam. Ele ficou bem impressionado com o movimento das sufragistas. Disse que elas eram muito corajosas. Eu concordo. 

Ensinar feminismo para crianças é ensinar respeito a elas. Mostrar que somos todos iguais, tirando uma mera questão biológica. Temos deveres e direitos como sociedade, acima de gênero. Isso elas precisam aprender para que no futuro quando uma esposa pedir ajuda com o trabalho de casa (o que de inicio não deveria ser necessário), o marido não estranhe e a mande parar de ler sobre feminismo. Não é sobre um movimento, é sobre liberdade. E isso é algo que todo mundo quer, independente se é homem ou mulher. 

A gente combate essa desigualdade cultural começando a ensinar aos nossos filhos como tratar pessoas de maneira civilizada. Feminismo não é coisa só de mulher, é coisa de humanidade. 

Para vocês que gostam do assunto, indico dois perfis no Instagram que mudaram a forma como enxergo meu “eu como mulher” e a minha maternidade. @petit_oiseauu e @13anosdepois. Garanto que depois de algumas semanas seguindo essas beldades vocês vão começar a se questionar se o fato de, por exemplo, ensinar as tarefas de casa das crianças sozinha está certo. Não há nada que um homem não seja capaz de aprender, e não há homem que mulher tenha que aguentar, capite?

Carol Teles

Carol Teles

Quase formada em Letras; quase formada em Biblioteconomia, sou altamente inquieta e tenho problemas em terminar coisas que comecei. Durmo pouco e com milhões de travesseiros. Sou chocólatra e passo parte do meu dia em uma Interprise ou Millenium Falcon porque meu filho vive no espaço. Perco-me na vida.

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