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“Quem quer este rinoceronte?” reforça a força onírica da literatura infantil

Publicado em 02 jul, 2019

Quem quer este rinoceronte? – Shel Silverstein
ISBN-10: 857503586X
Ano: 2019
Páginas: 64
Editora: Companhia das Letras
Classificação: 

Se você cansou de gatos, cachorros, peixes, tartarugas ou hamsters, e está à procura de um bichinho de estimação diferente, vale a pena conhecer o rinoceronte de Shel Silverstein. Em ‘Quem quer este rinoceronte?’, o autor tenta convencê-lo a levar para casa este animal pra lá de esquisito. Bons argumentos não faltam – ele devora o boletim com notas baixas antes que seus pais o vejam, pode servir de cabide ou de abajur, sabe imitar tubarões e ainda segura a corda para você pular. Além, claro, de ter um coração proporcional ao seu tamanho. Um livro para os pequenos leitores aprenderem a conviver com as diferenças, lição fundamental para a nossa transformação em cidadãos mais tolerantes.

 

Lembro que o primeiro livro que li de Silvertein foi “Leocádio, o leão que mandava bala“, em uma edição antiga, na adolescência. Na época, não consegui absorver da história o que exatamente ela queria me passar. E tudo bem, é compreensível que isso aconteça com a cabeças de jovens nessa fase onde tudo é muito grande e um livro infantil pode parecer ridículo. Tem coisas que a gente entende quando é criança, e vem entender de novo somente quando envelhece demais e tudo parece óbvio e persistente. É aquela velha questão de enxergar com novos olhos, e com os velhos. Às vezes os olhos intermediários ficam cegos para coisas simples. 

Fui uma criança que gostava de livros para gente mais velha. Tinha um amor por histórias de pirataria e sempre fui apaixonada por um bom ladrão, tipo Ali Babá. Sinbad então, causava certo êxtase. Por isso li poucos livros do tipo que hoje leio para os meus filhos. Não gostava muito deles. Não eram cavaleirescos o suficiente para mim. Então atrasei toda a minha cultura literária de livros infantis, o que estou tentando sanar hoje, lendo para as crianças aquilo que deixei de lado quando tinha a idade delas. 

Do autor, li para eles recentemente o Leão, que levantou questionamentos interessantes com o mais velho sobre tecnologia e o poder das pequenas coisas. Também, e aqui graças a Jout Jout, lemos o livro “A Parte que falta”, provavelmente o mais famoso e mais vendido dele aqui no país, justamente por causa do vídeo emocionado que a youtuber lançou em seu canal. Esse gerou uma polêmica maior porque meu filho também é um youtuber e falou bastante sobre como os influenciadores podem induzir a cabeça das pessoas a gostar das coisas. Sendo bem sincera, ele não curtiu tanto esse livro. E agora, por último, temos “Quem quer este rinoceronte?”, que agradou mais a minha filha caçula, o que entendo. O mais velho já está entrando naquela fase de achar livros de criança idiotas. Lembra? Falamos sobre isso. 

Com uma edição em capa dura e linda, o mais novo livro do Silvertein chegou para emocionar os pequenos. Digo mais, para fazer com que todos queiram um rinoceronte dentro de casa. 

O protagonista do livro é um rinoceronte versátil com um poder enorme de ser e fazer as mais diversas coisas que podem agradar uma criança. Sério, ele é um amorzinho! Até eu queria esse rinoceronte, não fosse a minha completa falta de espaço aqui em casa.

Claro que existe muito mais nessa história do que a “venda da ideia de se ter um rinoceronte em casa”. Literatura infantil é onírica. Ela te leva para todo e qualquer lugar do mente do leitor. Aqui em casa funcionou da seguinte forma… Minha filha acabou de ler comigo e depois me arranjou argumentos semelhantes para me convencer a termos um cachorro. Viu como a cada pessoa serve o propósito da literatura? Ter um bichinho de estimação é o desejo de praticamente toda criança que conheço, e o livro serviu para entregar fortes argumentos, por vezes fantasiosos, para me convencer que não temos espaço para um rinoceronte, mas para cachorro sim, temos. 

Fecho essa resenha indicando aos adultos que tenham a incrível experiência de ler um livro infantil ao menos uma vez por mês, mesmo que emprestado. Vocês vão acabar de ler e ficar pensativos porque tudo aquilo parece fazer um sentido diferente para a gente, que já cresceu o suficiente para entender que Peter Pan, por exemplo, é uma história sobre uma criança, mas que não necessariamente fala sobre crianças, e sim sobre o poder de crescer. E essa ideia de subtexto da literatura infantil funciona para tudo o que você for ler dentro do gênero.

E se for o caso de ter uma criança em casa, debata com ela sobre o que achou da história, e emparelhe com o que você pensou dela. Vai ver que são estradas diferentes, e que possivelmente o caminho da sua é mais escura do que a dela.

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