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Quando sei que estou partindo/partido

Publicado em 25 fev, 2019

Voltei a acompanhar o horóscopo.

Pelos motivos mais errados e variados, eu diria. Aliás, eu confesso. A unica razão para seguir uma conta sobre aquarianos no Instagram foi o fato de procurar sentido na bagunça do agora. Quando tudo ao seu redor parece flutuar é preciso se agarrar a algo firme. Não tô pronto para ir pelos ares, mas trouxe um pouco dele para tentar não endoidar. Se posso confiar no meu ascendente em Leão? Duvido muito. Não dá pra confiar nem naqueles amigos que a gente julgou serem pra sempre. Esse texto não é sobre os outros me decepcionarem e descartarem alguns anos fácil demais, é sobre eu fazendo isso na história mais bonita que vivi. Na história que por mais que eu tenha tentado ser protagonista, fui coadjuvante.

É uma verdade bem verdade aquela história sobre não perceber o óbvio quando se está dentro. Dentro de uma rotina, de um casulo seguro e cômodo, dentro de algo que já não é sobre você, é totalmente você. Mas o que você é? Quem você quer ser agora? E amanhã?

Quis resolver um problema e agi.

Nunca houve um problema.

Foi o que eu descobri.

O que tem martelado minha cabeça de um jeito desumano até para quem sofre com crises de ansiedade, é onde vou estar daqui a pouco. Não são perspectivas para cinco anos, são projetos que me assustam pela idade que tenho hoje. É a sensação de que faço tanto por mim e mesmo assim acho pouco. Nesses últimos meses de martelos e dores agudas eu me vi distante. Longe do que sempre fez sentido pra mim, do que sempre me fez bem. Um sempre meio recente, de quase dois anos, na verdade. Eu me afastei da verdade presente nos dias lindos – que até já escrevi sobre por aqui. Será que desmereci minha ideia de um dia de cada vez?

Eu sempre acreditei em futuro por amor. Eu sempre acreditei nesse amor no futuro. Eu deixei minhas obrigações sufocarem a melhor coisa que me aconteceu e percebi isso tarde demais. Tarde demais em muitos sentidos. Sentido. Sentir. Tarde demais num tipo de festa que já não fazia sentido pra mim. Como é possível não sentir nada quando tudo está no volume mais alto?  Como é possível não ter ouvido o que hoje meu juízo repete o tempo inteiro?

Tudo que eu queria dizer às 4 da madrugada na minha primeira manhã com 24 anos caberia numa canção triste que a gente descobre sem querer no Spotify. Mas eu não disse, não vou dizer. Quero, mas não posso. Porque é carnaval e te vi tão feliz naquele beco, porque estou tão surpreso de vê-lo assumir pro mundo o que sempre escondeu, porque não quero ser igual a todos os maus exemplos que passaram por mim. Porque eu não quero ser o que tu sempre julgou um incômodo e agora faz igual. Não quero ser  um passado presente. Eu tatuei sobre estar escrevendo o futuro em voz alta e talvez isso explique.

Sei que estou partido porque a pior parte é ressignificar tudo, até os sonhos que foram discórdia.

Sei que estou partindo porque surgiu a necessidade de me redescobrir sozinho. E eu não tô preparado.

Sei que estou partido porque não tô pronto pra contar minha história pra ninguém.

Sei que estou partindo porque finalmente veio a angústia e a vontade de escrever novamente.

 

Sei que o horóscopo tem falado de saudade, de seguir em frente, do fim de todas as coisas. Sei que a vida vai cuidar das coisas, ela sempre cuida, né? Mas por enquanto apenas dói.

E eu provavelmente me arrependa dessa publicação.

E amor devia ser o suficiente.

Realmente.

Felipe Miranda

Felipe Miranda

Sou redator, produtor de conteúdo, freelancer 24h e quase jornalista. Não consigo ficar quieto. Criei o OMD aos 15 anos e de lá para cá já vivi um mundo inteiro de histórias malucas (sem nem sair de casa).

WalmartBR

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