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“O Fundo é Apenas o Começo” discute doenças mentais e o quão delicada é a mente humana

Publicado em 01 ago, 2018

O Fundo é Apenas o Começo – Neal Shusterman

ISBN-10: 8558890625

Ano: 2018 / Páginas: 272

Editora: Valentina

Classificação: 

CADEN BOSCH está a bordo de um navio que ruma ao ponto mais remoto da Terra: Challenger Deep, uma depressão marinha situada a sudoeste da Fossa das Marianas. CADEN BOSCH é um aluno brilhante do ensino médio, cujos amigos estão começando a notar seu comportamento estranho. CADEN BOSCH é designado o artista de plantão do navio, para documentar a viagem com desenhos. CADEN BOSCH finge entrar para a equipe de corrida da escola, mas na verdade passa os dias caminhando quilômetros, absorto em pensamentos. CADEN BOSCH está dividido entre sua lealdade ao capitão e a tentação de se amotinar. CADEN BOSCH está dilacerado.

Esquizofrenia, bipolaridade, transtorno obsessivo-compulsivo ou depressão. Eu não consigo traçar um espaço-tempo em que tudo isso seja fácil de entender. Eu não tenho propriedade para falar sobre nada disso e acabo de ler um livro que me mostrou o quanto a mente humana é delicada. Frágil como a mais fina porcelana e resistente como uma fragata em alto mar. O que concluo depois de uma das histórias mais cruas, pesadas e necessárias que pude conhecer é que nossas vidas são como barcos de papel no meio do oceano, sempre à mercê dos bons ventos e da coragem de quem comanda a proa.

O Fundo é Apenas o Começo foi escrito por um pai que acompanhou de perto seu filho perder o controle da própria mente. Do juízo mesmo. Das percepções do que é real ou não. Do que dói ou não, do que é bom e ruim, do que é certo e errado. De uma hora para outra (?) o jovem Caden Bosch se vê internado num hospital psiquiátrico para tratar uma série de sintomas anormais para um adolescente de 15 anos.

Sendo curto e grosso, nosso protagonista consegue transformar o banal em algo extraordinário só que no sentido mais negativo possível. Um quadro na parede se transforma numa passagem para um mundo sanguinário, um corte superficial é tão fatal quanto um acidente de trem e reações exageradas parecem fazer parte de uma rotina perigosa para ele e todos ao seu redor. Ele surta, apaga, perde o controle e vive numa montanha russa. Há dias bons, dias difíceis e dias que parecem semanas.

Começo a imaginar se Davi era como eu. Vendo monstros por toda parte e se dando conta de que não há estilingues suficientes no mundo para matá-los.

Caden não confia em ninguém porque aos seus olhos todos se tornaram inimigos. Ninguém pode confiar em Caden porque ele simplesmente não distingue pensamento de vida real. É como se ele flutuasse em um sonho infinito. O que acompanhamos no livro de Neal Shusterman é o dia a dia de um indivíduo tentando vencer as próprias batalhas, lutas que envolvem todos ao seu redor.

Confesso que todo esse cenário poderia ser muito mais pesado nas páginas do livro, até porque estou falando de uma ficção que beira o confessional. Este livro foi possível graças a uma vivência de fato. Porém, Caden possui uma mente tão fértil que todos os seus problemas, ou a maioria deles, se passam a bordo de uma expedição. Ele caracterizou todos ao seu redor como integrantes de uma tripulação que viaja em alto mar rumo a um destino misterioso e pouco conhecido.

Fiquei pasmo de ver como as pessoas podem viver assim tão próximas, como é possível estar literalmente cercado por milhares de seres humanos a apenas centímetros uns dos outros  – e ainda assim, completamente isolado.

Sua rotina no hospital é narrada dentro dessa fantasia. Há um capitão-pirata de um olho só, um papagaio, tripulantes e monstros submarinos. Todos os desafios que podem ser enfrentados quando se navega num mar desconhecido estão lá, na mente de Caden. Parece simples e fácil de vislumbrar essa construção narrativa, mas acredite, é um pouco difícil acompanhar a rapidez das coisas. A mente de Caden corre na velocidade da luz. Suas ilusões e alucinações revelam segredos íntimos. Há muito nas entrelinhas e na poesia do autor.

E eu vejo coisas. Quer dizer, não vejo exatamente, mas sinto. Padrões de conexão entre as pessoas por quem passo. Entre os pássaros que revoam das árvores. Há um sentido nas coisas do mundo, ainda que só eu possa encontrá-lo.

É obscuro? É.
Lento em alguns momentos? Também.

E por tratar de um assunto que possui tantos desdobramentos (cada indivíduo é um mundo e, consequentemente, cada paciente também), a história é uma genuína aula. Somos apresentados ao jeito como Caden reage ao tratamento e também acompanhamos tudo que acontece ao seu redor. Sua família também sofre. Os meses que ele passa internado são uma provação para seus pais. Uma prova de amor. Tudo se adapta e sofre alterações por causa do que o garoto passa. É estupidamente forte ler sobre tudo isso. É sobre saúde e a falta dela. Sobre algo que ultrapassa os limites de estar bem. O que é estar bem? O que é a sã consciência e sua importância?

A edição da editora Valentina está linda. O livro vem com ilustrações tão confusas quanto a mente do protagonista e o melhor: são desenhos reais, feitos pelo filho do autor durante o episódio em que ele esteve off como o Caden.

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