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[RESENHA] O Labirinto dos Espíritos – Carlos Ruiz Zafón

Publicado em 01 fev, 2018

O Labirinto dos Espíritos – Carlos Ruiz Zafón

ISBN-13: 9788556510433
Ano: 2017
Páginas: 680
Editora: Suma de Letras
Classificação: 

Página do Livro no Skoob

Madrid, anos 1950. Alicia Gris é uma alma nascida das sombras da guerra,que lhe tirou os pais e lhe deu em troca uma vida de dor crônica. Investigadora talentosa, é a ela que a polícia recorre quando o ilustre ministro Mauricio Valls desaparece; um mistério que os meios oficiais falharam em solucionar. Em Barcelona, Daniel Sempere não consegue escapar dos enigmas envolvendo a morte de sua mãe, Isabella. O desejo de vingança se torna uma sombra que o espreita dia e noite, enquanto mergulha em investigações inúteis sobre seu maior suspeito — o agora desaparecido ministro Valls. Os fios dessa trama aos poucos unem os destinos de Daniel e Alicia, conduzindo-os de volta ao passado, às celas frias da prisão de Montjuic, onde um escritor atormentado escreveu sobre sua vida e seus fantasmas; aos últimos dias de vida de Isabella, com seus arrependimentos e confissões; e as intrigas ainda mais perigosas, envolvendo figuras capazes de tudo para manter antigos esqueletos enterrados.

Resenha por Carol Teles:

A coisa mais difícil para um blogueiro é ter que escrever uma resenha sobre um livro que amou. Não se engane em acreditar que falar de livro ruim é difícil. As palavras surgem bem rápido. Mas escolher adjetivos bons depois de um tempo pode ser um trabalho hercúleo. O nosso parco vocabulário nunca vai ser suficiente para tamanho apreço. Por isso já vou adiantando que essa resenha jamais vai conseguir dizer o que senti com o livro. Ele foi grandioso do início ao fim. Tão grandioso que eu, amante das palavras diferentes, não consigo achar uma que caiba para Labirinto dos Espíritos.Esse livro é o último do Cemitério dos Livros Esquecidos. Ainda que algumas pessoas digam que esses livros possam ser lidos em separado e em uma ordem diferente da lançada, eu sugiro que siga exatamente o modo como o Zafón lançou: A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos. Acredito que exista uma questão de apego aos personagens em A Sombra do Vento, e isso faz com que ler O Jogo do Anjo – o livro mais parado da série – seja um deleite suportável.

Para desespero de quem começou a série por onde comecei, O Labirinto dos Espíritos vai focar não em Daniel ou Fermín, aqueles dois personagens incríveis os quais já estamos acostumados e amamos, mas em Alicia, um tipo de auxiliar da polícia que anda investigando o desaparecimento de Valls. Para quem já leu os outros livros, sabe de quem estou falando.

Sim, temos muito dos Sampere e de Fermín aqui, mas o foco é essa menina e a ligação que ela tem com a história particular da vida deles. Uma garota que aparece no último livro, mas carregada de significado para entendermos o todo. Uma personagem muito bem delineada e de uma forma estranha, a cara dos grandes personagens “escrotos” do Zafón. Tem sempre aquele que em certo momento você cria certa aversão, e no momento seguinte está morrendo de amores.

Eu achei que fosse pegar birra com o livro porque não tinha o foco que eu queria para a finalização da série. E quando acabei, achei que não podia ter seguido um caminho mais adequado. Tá, adequado não é a palavra certa. Viu só como é difícil achar os adjetivos para esse livro? Muito difícil! Mas, enfim, o livro termina tão incrível como começou. Com um amadurecimento dos personagens na medida correta, e de nós, como leitores e que seguimos esse pessoal em uma trajetória longa e sofrida. Sim, sinto que cresci ao lado de Sampere. E foi, de fato. Li o primeiro livro adolescente, e vim terminar com uma cabeça totalmente diferente de quando comecei. A gente cresce com a leitura.

É inevitável.

Zafón conseguiu fechar com maestria as pontas soltas que tinham ficado largadas em todos os livros anteriores. Tem-se explicação para tudo, e ótimas explicações, aliás. Não teve nada, simplesmente NADA que eu tivesse desgostado dessa história. Não sei o que se passa na cabeça desse autor, mas eu amo os neurônios do homem. Já li tudo o que tem publicado dele no Brasil, e lerei tantos outros lançarem. Já disse milhares de vezes e repito, ele é um narrador INCRÍVEL e conta as melhores histórias para fazer qualquer um se apaixonar pelos personagens bons e até pelos vilões. É um dos meus autores prediletos, e não acho que vá perder esse pódio em algum momento.

Terminei de ler esse livro e soltei um suspiro pesado. Como se tivesse vendo partir em um barco um amigo que jamais fosse rever, porque ele foi para um lugar onde eu nunca vou poder pisar. Entendem essa sensação? Foi parecido com o que senti quando acabei O Senhor dos Anéis, só que sem as lágrimas de desespero. Eu poderia passar o resto da minha vida lendo sobre os personagens do Cemitério dos Livros Esquecidos e não iria cansar.

Preciso comentar aqui também que a parte relativa ao Cemitério em si é simplesmente perfeita. Como se ele fosse criando teorias em nossa cabeça até o último momento, quando o vemos funcionar como um organismo vivo de fato. Do jeitinho que sempre o imaginei desde o primeiro momento em que nos foi apresentado em A Sombra do Vento. Esse lugar respira, e tem uma respiração secular de anos guardando histórias de mundos, autores e momentos que jamais se apagarão enquanto existirem cemitérios vivos para guardarem suas histórias.

Enfim, é um puta livro, com um puta final. Corações eternos para Zafón. Sempre. Sempre. Sempre.

Carol Teles

Carol Teles

Quase formada em Letras; quase formada em Biblioteconomia, sou altamente inquieta e tenho problemas em terminar coisas que comecei. Durmo pouco e com milhões de travesseiros. Sou chocólatra e passo parte do meu dia em uma Interprise ou Millenium Falcon porque meu filho vive no espaço. Perco-me na vida.

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