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[RESENHA] Piquenique na Estrada – Irmãos Strugatsky

Publicado em 26 jan, 2018
Piquenique na Estrada – Irmãos Strugatsky
ISBN-10: 857657389X
Ano: 2017
Páginas: 320
Editora: Editora Aleph
Classificação: 
Página do livro no Skoob

A cidade de Harmont está mudada. Desde que foi palco de uma das várias invasões alienígenas na Terra, o clima é de incerteza e medo. Os visitantes anônimos não se comunicaram com os terráqueos, e assim deixaram a humanidade com questionamentos aterradores. Nos locais onde eles estiveram, agora zonas proibidas, fenômenos perigosos continuam acontecendo. Publicado pela primeira vez em 1971 na União Soviética, Piquenique na estrada mistura alusões à Guerra Fria e reflexões sobre a insignificância humana. Adaptado para os cinemas no filme Stalker, de Andrei Tarkóvski, é um dos maiores clássicos da ficção científica no leste europeu.

Resenha:
Piquenique na Estrada já virou filme. Aliás, ganhou uma versão para os cinemas em 1979 intitulada de Stalker. Pelo que li sobre a produção cinematográfica, a história é um pouco diferente. Escrita durante a união soviética, a obra dos irmãos Arkádi e Boris Strugatsky é sobrecarregada de metáforas e entrelinhas. O texto não chega a ser incompreensível, mas existe um peso ali. Algo que pode ser explicado pelo momento histórico em que foi escrito. Calma, você vai conseguir ler tranquilamente, só vai precisar de atenção e tempo para entender tudo. Não é um livro para ler de qualquer jeito.
Na edição da Editora Aleph, um conteúdo extra no fim do livro explica a legítima saga que existiu para que a obra fosse publicada na Rússia, na década de 70. Foram necessários 8 anos de reedições, discussões e embates entre os autores e a editora. Quase uma década para que o livro saísse o menos censurado possível. Apesar das centenas de modificações existentes, a versão que chega ao Brasil é a original, sem uma vírgula ou palavrão fora do lugar. Dito isto, vamos à trama.
Redrick Schuhart ganha a vida invadindo áreas proibidas. Arriscando a vida em terrenos que um dia foram lugares comuns e seguros, mas que hoje não passam de sinônimo de morte. Há alguns anos naves alienígenas pousaram na terra. Em cada um dos pontos onde os seres extraterrestres estiveram, objetos estranhos e incompreendidos pela mente humana foram abandonados. Não se sabe o motivo para o ocorrido, se algum dia os E.T’s voltarão ou o que significa essa visita. A única coisa que a ciência consegue afirmar é que adentrar os campos hoje vistos como zonas proibidas é a mesma coisa que pedir para sofrer.
Mutações genéticas e fenômenos que desafiam as leis da física e geografia são tudo o que se ouve e vê daqueles que invadiram as zonas. Uma espécie de comércio negro se instituiu. As peças e construções que os chamados “stalkers” conseguem roubar desses lugares representam avanços inexplicáveis para a vida em sociedade. Baterias inesgotáveis, por exemplo. Já pensou? Schuhart é nosso protagonista. Um ladrão de tesouro alienígena quase aposentado que se vê obrigado a voltar à zona por amor à sua família. Uma família que carrega na pele as marcas dessa decisão.
Clássico da Ficção Científica, Piquenique é dividido em apenas quatro capítulos. São mais de 300 páginas e isso pode cansar o leitor. A carga emotiva da história também é considerável. Existe um sentimento de irmandade que une e movimenta a comunidade de stalkers. Mais que isso, existe um vínculo e paixão muito forte pela cidade de Harmont, onde se passa a história. A visita extraterrestre marcou a região e isso traz impactos negativos e positivos. Existe mais que isso ali, sabe? Mais que restos deixados por visitantes indesejados.
O que guia toda a história são as idas e vindas de Schuhart e seus companheiros à zona. As transações que são feitas e as consequências disso. As punições. A grande questão que o livro levanta é sobre nossa relevância no mundo. Sobre o que representamos entre bilhões de pessoas, seres vivos e galáxias. Como lidamos com o desconhecido e como o novo pode afetar nossa sanidade e perspectiva de certo e errado. A obra me fez pensar sobre algo que me tirava o sono quando eu era apenas um adolescente. Como tudo que conhecemos foi criado? Quem criou a vida que existimos e quantas outras realidades devem renascer e explodir por aí?
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