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[RESENHA] A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera

Publicado em 05 set, 2017
A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera
ISBN-10: 853592664X
Ano: 2017
Páginas: 344
Editora Companhia das LetrasClassificação: 
Página do livro no Skoob

Sobre este romance, Italo Calvino escreveu: “O peso da vida, para Kundera, está em toda forma de opressão. O romance nos mostra como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável. Apenas, talvez, a vivacidade e a mobilidade da inteligência escapam à condenação – as qualidades de que se compõe o romance e que pertencem a um universo que não é mais aquele do viver” (Seis propostas para o próximo milênio). O livro, de 1982, tem quatro protagonistas: Tereza e Tomas, Sabina e Franz. Por força de suas escolhas ou por interferência do acaso, cada um deles experimenta, à sua maneira, o peso insustentável que baliza a vida, esse permanente exercício de reconhecer a opressão e de tentar amenizá-la.


Resenha:
Não me recordo de ter usado o termo “visceral” para definir algum livro já lido, mas acho que a obra de Milan Kundera pede. Consigo usar a expressão sem me sentir pedante, então acho que não é um erro aplicá-la aqui. Há três meses iniciei a leitura de A Insustentável Leveza do Ser. Há três meses tenho me perguntado se liberdade existe e onde posso encontrá-la sem ser um completo idiota. Porque é inevitável acompanhar a vida dos quatro personagens dessa história sem julgá-los. Sem esmiuçá-los. É isso que o autor faz. Os entrelaça em situações agoniantes. Entrelaça as vidas desses indivíduos em embates filosóficos que estão catucando a nossa porta diariamente. 

Talvez eu tenha evitado o término desse livro por pensar na dificuldade que seria resenhá-lo. E vejam só, vou tentar ser breve aqui, não por falta de posicionamentos a dar, mas por ser necessário digerir inúmeros fatos que eu ainda não estou pronto para aceitar. Kundera acabou escrevendo uma sequência de coisas incômodas.
O momento histórico é a Guerra Fria. Os personagens são Tomas, Tereza, Sabina e Fraz. O cenário principal é Praga, no centro da Europa, e a trama se divide em sete partes. O autor se debruça em filósofos como Nietzsche e Parmênides para apresentar reflexões sobre o que é, de fato, ser um espírito livre. Livre no sentido amplo da pergunta mesmo. Livre no amor, no trabalho, na família, livre ao deitar a cabeça no travesseiro. Paz. O que faz da nossa rotina algo leve ou insustentável? Compaixão é realmente algo bonito de se cultivar? E o amor. No meio disso tudo, que espaço ele ocupa? No final das contas amor é a resposta e a pergunta também. Mas ele não é simples, não é fácil, não é leve, e o autor mostra que ele é falho também. É sexo, é traição, términos e retornos. Sobre determinado ponto de vista o amor é vivido de um jeito errado. É como se a gente não soubesse dosar as coisas, sabe? Aí está o conceito de raso e profundo. O conceito de despertar.
É complicado. É como se Kundera dissesse que idealizamos e exageramos por natureza. Que catapultamos expectativas e medos. Que estragamos chances e relações pelo simples fato de fantasiá-las a cada etapa concluída. É como se Kundera mostrasse que nada vai ser tão bonito quanto esperamos. Como se ele apontasse para nossas fraquezas e dissesse: “ei, você é isso também.” 
O livro é sobre destino, frustração e a nossa passagem nesse mundo. É sobre como nos apoiamos nos outros, envergamos quando estamos sozinhos e nos redescobrimos a cada vitória e derrota. É sobre como podemos enfrentar e enxergar a vida de modos diferentes. É sobre como podemos triunfar sem desistir a cada tempestade. Porque, acredite, elas chegam em fileiras.
Dito tudo isso… Acho que não dá para absorver tudo que Kundera diz. Eu simplesmente me recuso e não consigo. Acho que liberdade é algo individual sim, mas também pode ser dividida. Compartilhada. A sensação que ficou em mim é que alguns vínculos, contratos e laços afetivos, amorosos ou profissionais podem ser superficiais e egoístas pelo simples fato de exigirem da gente uma responsabilidade ou compromisso. Como se ninguém fosse capaz de se prender a algo, sabe? E uso prender por falta de um termo melhor me vir à mente. Aqui eu li sobre um homem que traiu a mulher por anos com uma amante em busca de uma liberdade que nunca existiu para ele. Em busca de um amor que ele nunca encontrou por estar sempre em busca.

“Aquilo que o “eu” tem de único se esconde exatamente naquilo que o ser humano tem de inimaginável. Só podemos imaginar aquilo que é idêntico em todos os seres humanos, aquilo que lhes é comum. O eu individual é aquilo que se distingue do geral, portanto aquilo que não se deixa adivinhar nem calcular antecipadamente, aquilo que precisa ser desvelado, descoberto e conquistado do outro”.

Vou precisar dizer que não é um livro sobre amor, sabe? O ambiente opressor da época reflete isso em cada discurso que o autor faz a partir da fala de seus personagens. Há sexo e ele marca presença em quase todas as partes da obra. Na verdade, sexo é a alma da história. A partir dele, do que se pede e recebe de volta, muito é dito.

Não é uma leitura fácil. É denso. Não me refiro a vocabulário, mas a parte do pensar mesmo. Do refletir sobre. Eu simplesmente não consegui ler corrido. Eu fiz pausas. Eu refleti sobre o que estava se passando em cada situação desesperadora dos personagens. Leiam e tirem de Kundera o que melhor for possível.

E se entreguem. Sejam dignos de cada dia, de cada oportunidade e de cada pessoa que cruzar o caminho de vocês. Leveza é saber que amanhã pode ser melhor porque do hoje foi feito o máximo. Foi feito de verdades. E no fácil eu não acredito.

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