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[Resenha] O Livro de Memórias – Lara Avery

Publicado em 17 nov, 2016

O Livro de Memórias – Lara Avery

ISBN-10: 8555340179
Ano: 2016
Páginas: 392
Idioma: português
Editora: Seguinte
Classificação: 

Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho — nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.

Resenha:
É meio óbvio dizer que se tem medo do desconhecido, mas quando comecei a ler a obra de Lara Avery me vi pensando em como seria a minha vida caso eu não lembrasse de tudo que vivi até aqui.  O desconhecido seria algo que habitaria dentro mim. Eu seria o desconhecido. Um desconhecido tão próximo que não consigo imaginar como lidaria com tudo ao meu redor.

Sammie é uma adolescente prestes a se formar. Ela cultiva o sonho de um futuro brilhante em Nova York, estudando na faculdade que sempre quis, longe da cidade pequena onde nasceu e se criou. Mas nos acréscimos do segundo tempo ela descobre que possui Niemann Pick Tipo C, uma doença rara, degenerativa e sem cura. Uma doença comum de se manifestar logo cedo, ainda na infância, mas que nela apareceu agora. Quando tudo parecia certo e bonito como ela imaginou um dia. Ela perderá a memória enquanto seu corpo sofre. Perde o controle.

Se você cultiva algum preconceito com livros que tratam sobre doenças, reveja isso. E talvez desconsidere que O Livro de Memórias seja um livro sobre morte. Talvez não seja. A autora não vitimiza os personagens, o drama quase não existe, pelo menos não da forma que esperamos com toda essa premissa, e tudo acontece tão facilmente, apesar das dores, que me vi virando a última folha sem receber o impacto que estava esperando. No final das contas até senti falta de um rio de lágrimas, mas eu me saí bem. Eu entendi o que a autora quis passar. A mensagem das entrelinhas é esperança. Aquela que, mesmo quando tudo parece injusto, ruim, errado, nos mantém de pé. Porque a vida não acaba quando a gente se desfacela no asfalto ou debaixo do chuveiro. A vida não se desintegra quando a gente chora copiosamente por alguém ou por um erro. A vida segue e não espera e a gente precisa senti-la até na droga de um funeral.

Sammie não estanca quando entende que há algo acontecendo com seu corpo, seu cérebro e seu coração. Ela segue em frente, determinada a vencer os obstáculos naturais que a vida impôs à ela. Sammie quer continuar participando das competições de debate, quer ser a oradora da turma, quer viver as paixões que aflingem à pele. E para não esquecer de nada, de absolutamente nada do que está fazendo, de todos os esforços e sentimentos, ela passa a escrever um diário. Um livro de memórias para a Sammie do futuro saber de tudo quando não lembrar de nada.

É triste acompanhá-la perder a memória em momentos cruciais? Sim. É desconcertante acompanhá-la disposta a viver um grande amor sem ter certeza de que estará viva na semana seguinte? Demais.

No meio de tudo isso existem dois garotos: Stuart e Cooper. Stuart é uma antiga paixão de Sammie. Um prodígio da literatura e da poesia que abandona os sonhos para ajudá-la nessa fase difícil. Um garoto que até eu me vi apaixonado por ele. Cooper é um amigo de infância afastado pela ordem natural das coisas, pela idade, pelos hormônios e pela confusão que é ser jovem. Como os três se encaixam? Só lendo para entender e sentir muita raiva da autora. Até agora estou achando tudo muito mal resolvido. A vida real não é assim. A vida real é assim. Não sei o que pensar.

Como se trata de um diário, a história é narrada em primeira pessoa pela própria Sammie. Os capítulos são esperançosos e o final é o que o leitor espera que aconteça. Eu li tantos quotes bonitos, tantos, tantos. Mas não ousei parar nenhum momento de leitura para marcá-los. Não favoritei o livro por questões pessoais. Acho que alguns desfechos merecem mais páginas. Mais dores. O modo como tudo acabou, lá no fundo, me incomodou. Mas leiam, o livro é lindo.

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