Últimas Notícias

News
Recentes

Carol Teles lança “Constelação de Gritos Mudos”, seu novo livro!

News
Recentes

Com xilogravuras de Luís Matuto, livro faz releitura da história de Zumbi dos Palmares

News
Recentes

Guilermo del Toro e Cornelia Funke lançam livro de “O Labirinto do Fauno”

Livraria Martins Fontes

[RESENHA] Quando finalmente voltará a ser como nunca foi – Joachim Meyerhoff

Publicado em 25 jun, 2016

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi – Joachim Meyerhoff
ISBN-10: 8565859975
Ano: 2016
Páginas: 352
Editora: Valentina
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade – e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos.

Resenha:
Se tivéssemos um dom acima da média para a escrita e uma percepção aguçada para decifrar as entrelinhas de algumas atitudes de quem a gente ama, é possível que cada um de nós fosse capaz de escrever um livro igual a esse. Se não igual, bem parecido. Porque é isso que Joachim Meyerhoff faz, ele descreve com um olhar extremamente delicado e doloroso a rotina de uma família que poderia ser a nossa, mas não é por incontáveis pequenos grandes detalhes.
Por mais assustador que pareça, enxerguei a mim e a minha família em diversas situações apresentadas no livro. Tive uma certa dificuldade no começo da leitura por buscar a grande problemática que guiaria a narrativa, mas ela simplesmente não existe. A vida do protagonista é o grande problema e ela nos leva junto. O ambiente em que ele cresce é que parece ser o eixo: um hospital psiquiátrico.
Imagine que seu pai é um médico competente, apaixonado pelo que faz e que resolveu fincar raízes no centro de um manicômio para poder cuidar de perto de todos os seus pacientes. Imagine que você, seus irmãos e sua mãe possuem uma vida totalmente moldada a atmosfera que um local como esse tem. Ao invés de ouvir o farfalhar das folhas das árvores ou a cantoria dos grilos na calada da noite, o único som que você escuta são gritos. Gritos vindos de todas as alas e prédios ao redor de onde você dorme. Gritos de dor e sofrimento. Sua canção de ninar particular. Imagine que seus vizinhos são loucos, possuem os mais variados distúrbios e você aprende a gostar de cada um deles. A maioria dos seus relacionamentos são assim: com pessoas que já não sabem distinguir o certo do errado. Mas que possuem histórias. E elas fazem desse livro algo delicioso de ler.
A situação é essa e quem a narra é Joachim, o filho caçula. Ele passeia pelo tempo destrinchando memórias e revivendo sentimentos. Joachim nos apresenta a loucura. A loucura presente em cada um de nós. E durante cada capítulo que vi ele e todos ao seu redor perdendo o controle e a razão, pude perceber que é pouco o que nos mantém sãos. Porque eu sei o quanto a vida às vezes pesa e tudo o que precisamos é extravasar. Nessa família, o lar não me pareceu ser o lugar mais seguro ou confortável para nenhum dos membros. E mesmo assim, com todos os surtos externos e internos, o que sempre os uniu foi o amor. O amor por fazer parte de algo. O tipo de conexão que não se encontra facilmente na rua. Ah, mas a rua também esconde segredos de uma família.
O pai de Joachim é todo teoria. Já a mãe prática. Para o velho, viajar era mais interessante nas páginas de um livro. Para ela, a mão na massa, o vento no rosto e a Itália. Sempre. Os irmãos de Joachim não fugiram muito da realidade. Sempre prontos para uma encrenca, uma disputa. Cada um com sua personalidade, todos contribuem de alguma forma para o clima perturbador que a história tem. Eu me vi rindo e com os olhos cheios de lágrimas. É comovente. Nem de longe é uma escrita fácil ou leve. Não sei se faz algum sentido, mas o fato do autor ser alemão foi a explicação que me dei para a narrativa tão densa. Foi uma experiência diferente.
Acredito que a grande pergunta e reflexão que fica é se tudo que eles vivem é motivado pela inserção nesse ambiente de loucos ou se já é algo intrínseco ao ser humano. Não resta dúvida de que somos todos meio birutas. A loucura está do lado dentro. Da gente.
Leia mais de 4 milhões de livros no seu e-book. Os melhores e-books do mundo estão aqui

Recomendados para você

Deixe seu comentário

1 Comentário

  • Vitor Lessa
    01 julho, 2016

    Solicitei este livro hoje, e devo dizer que estou ainda mais apaixonado agora que li sua resenha. MEUDEEEEEUS. Topa fechar uma parceria ? <3 Se sim, entre em contato por aqui: portalcatracaseletiva@gmail.com