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[Resenha] O Demonologista – Andrew Pyper

Publicado em 17 abr, 2016

O Demonologista – Andrew Pyper
ISBN-10: 8566636406
Ano: 2015
Páginas: 328
Editora: DarkSide Books
Classificação: 
Página do livro no Skoob

O personagem que dá título ao best-seller internacional é David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Para David, o Anjo Caído é apenas um ser mitológico. Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma.

Resenha:
Não costumo começar resenhas comentando sobre a qualidade gráfica das obras, mas a Darkside me obriga a isso. Ter em mãos um livro de capa dura que imita o formato de um velho caderno de anotações repleto de ilustrações macabras fez toda a diferença na minha leitura. Eu não apenas li a obra de Andrew Pyper, eu tive uma experiência. Não consegui largá-lo até o fim de suas páginas, então o carreguei para tudo que é canto. Ainda não consigo dizer se o mais interessante foi o desconforto que senti ao ler diversas passagens do texto ou o olhar acusador de pessoas na rua me julgando pelo livro que estava carregando comigo.
David Ullman é um cético. Ele se enxerga como o típico exemplo de pessoas que conseguem separar a vida pessoal da profissional, mas nem de longe ele se enquadra nisso. David é um professor universitário especialista em narrativas religiosas e mitologia. Ele passou a vida inteira estudando o diabo e custa a acreditar em sua existência. Sua carreira de sucesso foi construída com base na obra Paraíso Perdido, de John Milton. Se você, assim como eu, nunca leu o texto original não se preocupe. O autor faz questão de citar na íntegra todos os trechos necessários para nosso entendimento da história. 
O melhor de tudo é que, diferente da maioria dos filmes ligados a essa temática, não encontramos uma introdução tediosa e extensa. Logo nos primeiros capítulos o professor recebe a visita que guia toda a trama. Uma mulher misteriosa o convida para um trabalho em Veneza. Ela não dá muitos detalhes, não explica o que de fato ele irá encontrar se aceitar fazer a viagem, mas David aceita. Ele aceita porque seus conhecimentos estão sendo requisitados para a avaliação de um fenômeno. Ele está curioso e sente que algo o chama. Aceita porque ele está enfrentando um divórcio, aceita porque sua filha Tess poderá acompanhá-lo na jornada, aceita porque ele terá um momento de pai e filha com a pessoa que mais importa para ele. Ele precisa disso.
Só que em Veneza algo dá errado. Algo está prestes a dar muito errado. David segue para o endereço que recebeu pela mulher desconhecida e se vê diante de um homem possuído. Ele recebeu uma filmadora para registrar o momento e não se intimida diante de um mensageiro do diabo. O inominável agora habita o pobre coitado amarrado em uma cadeira à frente de Ullman. O que acontece aqui define o destino do professor. Ele presencia tudo que evitou acreditar durante toda a sua vida e não sabe o que fazer com o vídeo que agora tem em mãos. Um vídeo capaz de chocar o mundo. Instaurar o caos.
É na volta para o apartamento que está hospedado que a obra de Pyper surpreende pela primeira vez. Tess desaparece, é dada como morta. Mas David sabe que precisa encontrá-la. Ele se recusa a perdê-la para o diabo. Com uma prova do mal em mãos e uma missão de loucura em mente ele parte rumo a um pesadelo.  Parece que contei muito, mas não contei. Tudo que David enfrente a partir daqui é assustador. Ele revive as tragédias do passado, que são muitas, passa a ser perseguido por um assassino profissional e sente a presença do inominável a cada esquina tentando se comunicar com ele. A esperança pode ser seu fim e O’brien, sua melhor amiga, será um guia. 
Não é possível ler o texto de Andrew Pyper sem atenção. Há muita informação nas entrelinhas, muitas referências à Bíblia e textos de Milton. Toda a trajetória do diabo está presente nessas páginas e a interpretação de Ullman baseada em tudo que ele vive no momento deixa tudo mais empolgante. Satanás quer David como seu mensageiro, mas o professor ainda não entendeu o que precisa fazer. E se Tess soubesse desde o início que algo ruim estava a espreita? Crianças sempre sabem mais do que deveriam. Elas sentem. Narrado em primeira pessoa O Demonologista é um prato cheio para quem curte calafrios durante a leitura. O terror é psicológico. O desfecho parece aberto a interpretações, mas só consegui enxergar uma. Me vi questionando o que é fé, o que ela faz pela gente e como toda a nossa existência é frágil. Tanta coisa invisível por aí. Não estamos sozinhos.
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