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[Resenha] Proibido – Tabitha Suzuma

Publicado em 29 out, 2014

Proibido – Tabitha Suzuma
Editora: Editora Valentina
ISBN: 9788565859363
Ano: 2014
Páginas: 304
Classificação: 
Página do livro no Skoob / Compre!

Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. Eles são irmão e irmã. Mas será que o mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia?

Considerado crime em diversos lugares do mundo e pecado por incontáveis religiões, o ato sexual entre pessoas do mesmo sangue é visto como algo repulsivo e passível de punição.  O contato íntimo e físico entre parentes é proibido por lei, chegando, em casos extremos, a reclusões penais máximas. Os casos de incesto estão, quase sempre, atrelados a abusos sexuais de menores e estupros. No Brasil, também, apesar da prática não ser ilegal, o incesto não é bem visto.

Lançado em 2010, o romance “Proibido” foi recebido com sucesso por público e crítica em todos os países em que foi publicado. Em livrarias tupiniquins, a polêmica obra chegou pela editora Valentina apenas este ano. Em uma narrativa assombrosa e sutil, a norte-americana Tabitha Suzuma aborda uma relação incestuosa, tentando provar que o amor pode surgir nas mais variadas formas e situações. Se a sociedade é capaz de permitir relações frívolas, violentas e adúlteras, por que o amor verdadeiro e consensual entre dois irmãos deve ser repudiado tão veemente?

“Eu não escrevi ‘Proibido’ para mudar a opinião de ninguém. A única coisa que peço é que mantenham a mente aberta e deixem o preconceito de lado por um momento”, disse a autora em um vídeo publicado no canal da editora Valentina no Youtube, em julho deste ano.

A literatura deste livro é caótica. Um caos. Um verdadeiro caos de sentimentos capaz de provocar reações poderosas em qualquer leitor. Raiva, frustração, dúvida. Afirmar que se trata, apenas, de uma história sobre incesto seria diminui-la. É mais do que isso. É um extenso e poético relato trágico sobre as convenções sociais. Um “soco no estômago” crítico e cruel.

Em entrevistas concedidas à mídia, a autora deixou claro que nunca teve a intenção de incentivar ou de alguma forma legalizar o casamento entre irmãos. Tabitha quis expôr de forma visceral a realidade de muitas pessoas. A história que ela conta em pouco mais de 300 páginas é baseada em relatos verídicos. Em “Proibido”, Lochan e Maya são punidos por estarem apaixonados e terem sido gerados pela mesma mulher.

Aos 12 anos, Lochie – como é chamado o jovem Lochan – já assumia as responsabilidades de um pai ausente. O pai abandonara a mulher e os filhos para viver uma paixão no outro lado do mundo.  Isso explica o porquê de Lochan ser tão sensato e maduro em tudo que faz, mas não explica a timidez que o torna antissocial.  Ele está no último ano da escola e a fobia que tem em se relacionar com outras pessoas que não sejam da família é um grande problema.

Maya tem 16 anos e mantém junto ao irmão uma rotina exaustiva. Enquanto a mãe se agarra à juventude há muito perdida para superar o abandono do ex-marido, os dois adolescentes precisam cuidar dos três irmãos mais novos e evitar que o serviço social descubra a negligência na qual vivem. O caos da narrativa de “Proibido” é o caos desse ambiente familiar desestruturado. É doloroso acompanhar os malabarismos que Maya e Lochie fazem para criar os irmãos. E angustiante o deterioramento que as relações entre eles inevitavelmente sofrem. A mãe que deveria estar presente, tornando-se a base familiar, não passa de uma quarentona alcoólatra e sem perspectivas de futuro que abandonou a maternidade e vive de ilusões. É tudo tão absurdo que eles, os filhos, passam a ter vergonha do ser humano que ela se tornou.

O dia-a-dia acaba transformando Maya e Lochie nas autoridades máximas do lar. Sem querer, eles se tornam mãe e pai dos próprios irmãos. Diante de todas as dificuldades que enfrentam juntos, de certo modo, é esperado e inevitável que eles passem a se enxergar de um modo mais íntimo. Pessoal e novo. A partir do momento que percebem o sentimento recíproco, eles iniciam uma luta. É errado, proibido, nojento. Eles precisam pensar nas crianças, no futuro de cada uma. Eles não podem ser felizes – arriscar tudo e serem presos. No Reino Unido, onde a história é ambientada, as penalidades para o incesto vão de dois anos à prisão perpétua. Uma batalha para negar que se desejam (muito mais do que apenas como irmãos) instala-se. “Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?”

Para o leitor, que passa a conhecê-los como ninguém, o julgamento é fácil. Quem poderia recrimina-los? Não há maldade ou intenção – é puro e verdadeiro. Aflorou da forma mais bonita que existe. Mas e o mundo lá fora? E todas as pessoas que não os conhecem e irão puni-los por um crime? É preciso ler para se arrepiar com o final. O inesperado e trágico desfecho de uma história de amor proibido. As reviravoltas da trama estão garantidas até a última página – as críticas às convencionais regras impostas pela sociedade também. Não é necessário concordar com Maya e Lochan, mas o leitor está fadado a entendê-los.

Tabitha é autora dos livros “A Note of Madness”, “From where I stand”, “A Voice in the Distance”, “Without looking back” e “Hurt” – este último publicado em 2013. Nenhum deles foi traduzido para o português. “Proibido” é o trabalho mais conhecido da autora, tendo vencido importantes premiações, entre elas o “Young Minds Book Award”, em 2008, e o “Stockport Schools’ Book Award”, em 2011.

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