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[Resenha] Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo – Benjamin Alire Sáenz

Publicado em 01 jul, 2014

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo – Benjamin Alire Sáenz
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765350
Ano: 2014
Páginas: 392
Classificação: 
Página do livro no Skoob / Compre!

Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas – e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.

Resenha:

Benjamin Alire Sáenz escreveu um dos livros mais pessoais e bonitos que tive a oportunidade de ler. Apesar da narrativa caminhar a passos lentos e cuidadosos, a estória cresce e te envolve de uma forma única e tocante. Preciso iniciar essa resenha admitindo que Aristóteles e Dantes me fizeram chorar como há tempos não chorava lendo um livro.

Aristóteles Mendonza carrega nas costas o nome de um dos maiores filósofos de todos os tempos, e a consequência disso é a inquietante sensação de que todos esperam algo a mais dele. Algo que ele não pode dar. Algo que ele não tem a dizer. A pergunta que se instala desde o início é: Ari aprendeu a esconder seus sentimentos ou simplesmente nasceu assim? Introspectivo? Para ele ter 15 anos de idade é uma das maiores tragédias de todas, e o fato de estar sempre sentindo pena de si mesmo agrava mais a situação. Ele não tem amigos ou alguém para conversar, o mundo dos garotos é algo estranho e que ele evita o máximo que pode. Aristóteles não se adapta a lugar algum, ele não pertence a lugar algum do mundo e estar com alguém era a coisa mais difícil de todas até ele conhecer Dante Quintana.

Dante é o completo oposto de Ari. Disposto a se adaptar a qualquer lugar ou situação, Dante sabe muito bem qual é seu lugar no universo. Ele é confiante e enxerga as coisas que Ari jamais conseguiria perceber sozinho. Dante é um personagem apaixonante e tão cheio de luz que vai acabar mudando não só a vida de Ari, mas a de qualquer leitor que se entregue ao enredo e consiga perceber o quão lindo é o relacionamento que nasce. Enquanto Ari apenas lê por ler, Dante analisa, desvenda e questiona. Enquanto Ari perde tempo sentindo pena de si mesmo, Dante não tem medo de nada. No verão que se conhecem, Dante ensina Ari a nadar e essa será apenas uma das incontáveis lições que aprenderão juntos pelo resto de suas vidas.

A narrativa acompanha os dois descobrindo os segredos do universo juntos e separadamente, e quando me refiro a “segredos do universo” não estou fazendo alusão a coisas gigantes e grandiosas por extravagância, mas sim aos pequenos detalhes que só percebemos quando realmente sentimos, refletimos e amamos. Quando realmente nos conhecemos e temos consciência do que nos afeta, nos estimula, nos fere e nos ganha. Acredito que no final os segredos do universo nada mais são que os nossos próprios conflitos. A narrativa é feita em primeira pessoa por Aristóteles e o foco é voltado em sua auto-aceitação e descoberta. Se você leu até aqui já deve ter percebido o tom romântico que acompanha a amizade de Dante e Ari. Sabe o melhor? A estória não foca apenas nos dois, o relacionamento familiar é outro aspecto importante e o grande responsável pelas minhas lágrimas.

O pai de Ari guarda uma guerra dentro de si. O Vietnã é um passado obscuro e longe demais, doloroso demais para ser revivido em palavras. Por isso e outros motivos Aristóteles não conhece o pai de verdade. Enquanto Dante faz questão de externar toda e qualquer verdade, o pai de Ari sufoca tudo que viveu. Outro tabu na família é seu irmão Bernardo que está preso. Há anos não se vê uma única fotografia dele nas molduras de casa. Ari sente sua falta e não suporta o fato de todos se comportarem como se ele estivesse morto. Apesar de Ari ter uma visão trágica da vida ele cultiva a esperança de um dia entender o que realmente aconteceu com sua família. O universo não é o único a guardar segredos…

Até o desfecho Ari será capaz de perceber que todas as regras de convivência que impõe são apenas uma tentativa de fugir daquilo que mais deseja? Aristóteles anseia por ouvir das pessoas o que elas sentem, mas não é capaz de admitir seus próprios sentimentos. Os diálogos são ágeis, inteligentes, íntimos e o desfecho é inescrutavelmente lindo. O livro vai funcionar diferente para cada um que o leia e espero que você o marque como favorito assim como fiz.

“- É, acho que sim. O amor é uma competição?
– O que você quer dizer?
– Pode ser que cada um ame de um jeito diferente. Talvez seja isso o que importa.” Trecho da página 274
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