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[Resenha] Adultério – Paulo Coelho

Publicado em 09 abr, 2014

Adultério – Paulo Coelho
Editora: Sextante
ISBN: 9788543100456
Ano: 2014
Páginas: 240
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Minha tristeza se tornou rotina, ninguém percebe mais. Não consigo mais dormir direito. Sinto-me egoísta. Continuo tentando impressionar as pessoas como se ainda fosse criança. Choro sozinha e sem motivo no banho. Só fiz amor com vontade mesmo uma vez em muitos meses – e você sabe bem de que dia estou falando. Já considerei que tudo isso seja um rito de passagem, consequência de eu ter passado dos 30 anos, mas essa explicação não basta. Sinto que estou desperdiçando minha vida, que um dia vou olhar para trás e me arrepender de tudo o que fiz. Menos de ter me casado com você e tido nossos lindos filhos.
– Mas isso não é o mais importante?
Para muitas pessoas, sim. Mas para mim não é o suficiente.

Resenha:
Adultério  instiga o debate em relação a pontos delicados à vida de qualquer um. É polêmico.

Mantive uma relação de amor e ódio com a protagonista durante toda a leitura. Ainda não sei ao certo se a admiro pela coragem de assumir suas fraquezas e lutar por seus “sonhos”. Ou se a odeio por ser tão egoísta e dona de divagações que pareceram muitas vezes sem sentido para mim. Linda está enfrentando uma crise de identidade, ela chegou em um ponto onde acredita nada parecer certo ou suficiente na vida em que construiu ao longo de seus 31 anos. Ela começa a questionar o conforto de sua rotina e a repetição dos rituais diários. Linda se dá conta que não arrisca-se nem na hora de comer algo novo. Ela prefere o mesmo. O de sempre. E isso começa a incomodá-la. Um total desinteresse pela vida se instala e passa a guiar seus movimentos. Nesse clima depressivo ela repensa diversos aspectos que nunca foram pautas. Que nunca foram questionados.

Como se Linda tivesse dedicado toda sua existência para sentir-se útil, sempre preocupada em agradar à todos, numa espécie de justificativa de vida. E só agora ela percebeu que não é completamente feliz, que de alguma forma, desconhecida, ela desperdiçou todo esse tempo. Que marido e filhos são a única coisa que ela não se arrepende. De início é tudo bem difícil de engolir, admito. Linda é uma jornalista promissora, que construíra uma família com um homem digno de sonhos, sua vida é estável. Linda o ama. Ela tem tudo para ser e estar feliz mas não consegue entender.

Até que ela reencontra um ex-namorado de ensino médio, Jacob, em uma entrevista de negócios que resulta em adultério e o início de um caso extraconjugal que define e guia a trama até o último capítulo. De forma totalmente inesperada ela burla as regras e percebe que era disso que precisava: do novo. O mundo não explodira em sua cabeça ao trair seu amado marido. Jacob é um político em ascensão também casado que sente-se solitário e incompreendido, ambos irão encontrar consolo em sexos casuais às escondidas. A narrativa é feita em primeira pessoa, o que torna ainda mais pessoal cada sensação descrita e pensamento divagado. Quando Linda percebe estar apaixonada pelo amante e o mesmo não a corresponde, como se tudo funcionasse como uma terapia, ela ganha um novo objetivo. Conquistá-lo. Acabar com seu casamento. Vingar-se da esposa desconfiada que a impede de ser plenamente realizada com um marido que ama e um amante pelo qual sente paixão.

Vamos admitir, é complicado simpatizar totalmente como uma personagem assim. Viajando em memórias Linda relembra a vez em que maltratou um animal por não querer dividir o amor e a atenção de seu parceiro com um animal… Por mais que explicações surjam e sentimentos estejam envolvidos, Linda não me convenceu. Ela me pareceu desesperada, entediada com sua vida perfeita e numa série de atitudes sem sentido ela procura sentido em tudo que faz. O autor Paulo Coelho baseou seu livro em relatos reais de fóruns sobre traição na internet. A estória de Linda é uma estória “real” de alguém também “real”. De início uma hipótese de depressão é considerada mas logo descartada. Quando Linda começa a perceber o quão improvável de um final satisfatório é o seu caso com Jacob, ela começa a questionar-se da fantasia que criou. Da possibilidade impossível que cultivou.

Esse foi meu primeiro contato com a narrativa de Paulo Coelho e de algum modo me vi surpreendido. Pretendo lê-lo mais vezes. O autor acrescenta elementos que abordam fé em Deus, fé no amor e chama atenção para a busca da felicidade que guia a vida do ser humano. Quando somos bebês choramos na certeza do consolo e carinho. Quando adultos não demonstramos tanto nossos sentimentos pelo receio de julgamento. Tememos mais aranhas e cobras que acidentes de trânsito. Sabe por quê? Nossa mente ainda coexiste no tempo das cavernas. Foram reflexões como essas que fizeram da leitura algo bem maior.

Amor nunca foi o suficiente e nunca será. Linda precisa aprender a amar melhor.

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