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Livraria Martins Fontes

[Resenha] O sal da vida – Françoise Héritier

Publicado em 24 nov, 2013

O Sal da vida – Françoise Héritier
Editora: Valentina
ISBN: 9788565859158
Ano: 2013
Páginas: 108
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Existe uma forma de leveza e de graça no simples fato de existir, que vai além das ocupações, além dos sentimentos poderosos e dos engajamentos políticos. É sobre isso que este livro fala. Sobre esse pequeno plus que nos é dado a todos: “O Sal da Vida”. Nesta meditação, nesta espécie de poema em prosa em homenagem à vida, totalmente íntimo e sensorial, a renomada antropóloga Françoise Héritier vai atrás das pequenas coisas agradáveis (às vezes nem tanto) às quais aspira o mais profundo do nosso ser: as imagens e as emoções, os momentos marcados de recordações que dão sabor à vida, que a tornam mais rica e mais interessante do que muitas vezes acreditamos que ela seja, e que nada nem ninguém poderá nos tirar, nunca, jamais!

Quando  a antropóloga Françoise Héritier percebe que um grande amigo está roubando a própria vida se dedicando apenas as múltiplas responsabilidades de um árduo trabalho, por mais prazeroso que ele possa ser,  e passa a escamotear tudo aquilo que gera o sal da vida, ela adentra em um jogo de sentimentos.
Certo, mas o que seria o sal da vida? Nada mais, nada menos que tudo aquilo que dá sentido a nossa existência, tudo aquilo que nos dá prazer, que nos faz feliz, que faz a vida valer a pena. Que dotou nossa vida de experiências até o dia hoje, o agora. As coisas bobas, pequenas, os sons, os ruídos, um toque, um beijo, uma lição, uma desilusão, sabores, uma lágrima de felicidade, um cachorro-quente com um amigo, aquela viagem de férias, um livro, um animal, um olhar. Tudo aquilo que sentiríamos falta se desaparecesse para sempre de nossas vidas.
Diante dessa observação ela vai listar tudo aquilo que foi, está sendo e pode um dia ser o sal de sua vida. O livro não se trata de uma ficção, mas sim de uma lista de lembranças repleta de sensações e significados grandiosos, por mais que seja composta de pequenos gestos e detalhes. As últimas páginas no livro são linhas em branco, um espaço para listarmos nossos próprios sais. O próximo parágrafo está repleto de sais que deixam, deixaram e vão continuar
deixando minha vida muito mais sensível e repleta de bons momentos. Observem que poderiam muito bem ser dois parágrafos… Sim, me empolguei.
As expressões únicas da minha vó e da minha mãe, o desabafo mais difícil da minha vida, um eu te amo recíproco, uma tequila, uma água de côco, uma bala de menta. Cheiros que associo a pessoas específicas, um desconhecido na rua, amigos de infância e lasanha. Descer o morro montado numa tábua a sabe-se lá quantos quilômetros de velocidade, fugir de porcos em aulas de educação física, quase fazer um gol sendo um verdadeiro perna de pau, não pensar em nada e pensar demais em tudo. Dormir no ônibus, reagir a assaltos, ter medo, assistir filmes de terror com luzes do quarto acesas, não saber nadar, não saber andar de bicicleta. Matar alguém de cócegas, sempre ter assunto, palavras que fogem.
Aquele livro devorado em questão de horas, e aquele livro que procrastinei por dias também, muitos valeram a pena mesmo assim. As tardes de risadas e conversas jogadas fora com os amigos, aquele filme visto sozinho no cinema, por que as vezes ficar sozinho também é beneficente. Aquela música que me faz querer voltar anos no tempo, aquele abraço que nunca se repetirá. Aquela matéria torturante que passei com esforço, o primeiro beijo, o último beijo, o pior beijo, o melhor beijo. Uma lambida, uma mordida, um arrepio. Viajar pelo simples prazer de ver as paisagens passarem pela janela, sentindo o movimento da vida.
Um sotaque gostoso, uma risada gostosa, um conselho que salva. Ter um blog, ter uma gaveta cheia de bugigangas que não servem para nada mas que não consigo me desfazer delas, é, qualquer espécie de despedida me dói. Ser um imã para cachorros, sempre mandar e-mails para a chefe com um poema em cada um deles. Odiar falar ao telefone, cantar alto durante o banho e sonhar, sonhar, sonhar!O livro é grandioso, mesmo sendo maçante em alguns momentos, faz sentido em qualquer ordem ou circunstância. A lista interminável da autora está repleta de sais comuns a qualquer um e de sais próprios, íntimos. De fato, um lembrete para celebrarmos a vida, a nossa existência, o amor.

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12 Comentários

  • GonçalvesSue
    03 fevereiro, 2014

    Sua resenha, me fez me interessar pra ler o livro..

  • Anônimo
    04 dezembro, 2013

    Amei a resenha, parece ser bem interessante!!
    – Karine

  • Thais Rosa
    02 dezembro, 2013

    Nossa, o conteúdo do livro é realmente bom, fofo, muito boa a sua resenha!

  • Franciele de Santana
    30 novembro, 2013

    De fato a proposta é muito interessante, pois deixamos tantas coisas realmente importantes de lado, eu acrescentaria: aulas de educação física no sol de rachar, ver o sorriso de agradecimento e reconhecimento de outra pessoa, jogar dominó com a família, andar num ônibus lotado e ainda feliz….
    Coisas realmente simples que você nunca mais vai esquecer.

  • Cibele Santos
    28 novembro, 2013

    Achei tudo fofo, desde a capa até o conteúdo do livro, valeu pela resenha, muito boa com sal mesmo…
    😀

  • Manu Hitz
    28 novembro, 2013

    O tempero da vida- o sal – é isso mesmo, algo que encontramos no dia a dia e que torna a vida especial, que faz valer a pena a luta. O que encontramos para dar sentido está nas pequenas coisas, na simplicidade das coisas, especialmente nas pessoas que caminham ao nosso lado e as que encontramos na jornada. Adoro livros assim, que me trazem reflexão. Amei!

  • Bruna Miranda
    25 novembro, 2013

    Gente, mas que amor de livro! <3
    a capa me chamou a atenção na hora e o que eu esperava era uma ficção levezinha, mas pela resenha dá pra ver que é algo bem melhor. Achei incrível esse gesto da autora e ainda mais algumas coisas da tua lista de sais ("fugir de porcos em aulas de educação física" e "ser um imã para cachorros" principalmente hahahah).

    Adorei a resenha e gostei muito do blog também, primeira vez passando por aqui. 🙂
    Beijos!

    Bruna
    http://umpoucodissoeaquilo.com.br

  • Raquel Moritz
    25 novembro, 2013

    Estou curiosa pra ler esse livro. Sabe que, pela capa, eu não dava muito por ele, mas curti a premissa no momento que vi. Bom saber que você curtiu, apesar das passagens mais maçantes. 🙂

    Bjs,

    Raquel
    http://www.pipocamusical.com.br

  • Larissa
    24 novembro, 2013

    Apesar da leitura maçante eu adoraria lê-lo, eu agora estou procurando livros mais reais(o que não significa que eu vou abandonar o meu gênero favorito né – eu amo fantasia)
    Nem imaginaria que esse livro é algo sobre as principais lembranças de uma mulher, pela capa eu diria que é um romance teen

  • Shadai
    24 novembro, 2013

    Acho que iria adorar esse livro curtinho. Pois prefiro algo assim significativo que a gente se identifica, do que histórias mirabolantes irreais longas.
    Lendo sua resenha fiquei pensando nas coisas que você citou como sais da vida, e fui concordando e discordando de acordo com a minha vida, bem legal isso.

  • Maria Clara
    24 novembro, 2013

    Adorei seus sais e a resenha, a capa do livro é linda *-* Quero lerrrrr

  • Pandora L.
    24 novembro, 2013

    adorei a resenha! apesar de seus momentos maçantes as vezes é bom ver um livro que celebra a vida, o amor, as coisas que nos faz bem, quero muito lê-lo, não o conhecia e foi uma ótima indicação, espero gostar!
    um abraço!
    Pan
    http://pansmind.blogspot.com.br