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[Resenha] Os adoráveis – Sarra Manning

Publicado em 28 out, 2013

Os adoráveis – Sarra Manning
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581631950
Ano: 2013
Páginas: 384 
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Jeane é blogueira. Seu blog, o Adorkable, é um blog de estilo de vida —
na verdade, o estilo de vida dela — e já ganhou até prêmios na categoria
“Melhor Blog sobre Estilo de Vida” pelo e Guardian e um Bloggie Award.
Adora balas Haribo, moda (a que ela cria, comprando em brechós) e
colorir (ou descolorir totalmente) os cabelos. Cheia de personalidade e
meio volúvel, ainda assim Jeane é bacana — mesmo nos momentos em que se
transforma numa insuportável. Mas, certamente, ela não olharia duas
vezes para Michael. Porque Michael é o oposto de Jeane. Ele é o tipo de
cara que namoraria a garota mais bonita da escola. E compra suas roupas
na Hollister, na Jack Wills e na Abercrombie. Além disso, diferente de
Jeane, que é autossuficiente, Michael é completamente dependente do pai,
o Clínico Geral que condena açúcar, e ainda permite que sua mãe compre
suas roupas! (Embora, para Jeane, o pior mesmo sobre Michael é que ele
baixa música da internet e nunca paga por isso). Jeane e Michael têm
pouco em comum, além de algumas aulas e uma maçante dupla de “ex” —
Scarlett e Barney. Mas, apesar disso, eles não conseguem se desgrudar
desde que ¬ ficaram pela primeira vez.

Resenha:
Jeane Smith abomina roupas de marca, calças jeans, vegetais e cores neutras em seu cabelo. Seu bizarro guarda-roupa é composto de verdadeiros “achados de brechós”, uma avalanche de cores, estampas, tecidos, customizações e autenticidade questionável. Ela é irônica, cínica e sabe como irritar qualquer um que a desafie, sempre com um jogo de palavras inteligente na ponta da língua que pode ser mal interpretado ou ter um duplo sentido que acabe ofendendo alguém. Com apenas 17 anos de idade ela é uma adolescente notável na área em que atua, seu blog, o Adorkable, não é apenas uma página na internet onde ela mostra todas as coisas estranhas e maravilhosas nas quais está envolvida ou o seu look do dia, mas sim um espaço onde milhares de jovens se identificam, uma malha livre e orgânica de almas com interesses e pensamentos semelhantes que adotaram a página como sua bíblia. Adorkable é um estilo de vida, é sobre não ter medo de ser quem você realmente é. Jeane declara-se independente, coisa que não podemos negar, afinal ela mora sozinha desde os 15 anos e ganha dinheiro com palestras, conferências e consultorias para diversas empresas sobre mídia e tendências. Já foi citada e reconhecida por diversos meios de comunicação influentes e venceu um tanto enorme de prêmios. Mas tanta fama no ciberespaço não é o suficiente, talvez milhões de amigos virtuais não substituam o calor de um abraço amigo na vida real. Na escola ela é vista como uma aberração esquisita e posta de lado por todos, exceto por seu namorado geek e também ignorado, Barney, que começa a se sentir insuficiente para a garota que nunca recebe um não e está sempre dez passos a frente.

Michael Lee é popular e absurdamente bonito, as garotas desmaiam em sua presença. E fugindo do clichê habitual, onde esperamos que ele seja um completo rebelde e idiota, a autora nos surpreende com um bom rapaz, gentil e atencioso. Dedicado aos estudos e respeitável com os mais velhos, totalmente amarrado a família, seguindo horários e cumprindo tarefas extras. Por mais que ele seja neutro comparado aos romances que lemos por aí, achei-o extremamente cativante apesar de seu irritante conformismo. Ele namora Scarlett, mas a beleza da loira não compensa sua pouca habilidade em se comunicar, ou se expressar, ou corresponder a estímulos.

Vem então a surpresa. O improvável casal se forma: Barney e Scarlett. Sim, a linda Scarlett e o nerd Barney, juntos. De verdade. Eles se descobrem almas gêmeas, se completam e acabam mudando um ao outro para melhor. É aqui que Jeane tem que lidar com o garoto que mais odeia na face da terra, Michael Lee. Sentiram que mais um casal improvável pode surgir? Após um atropelamento e um beijo acidentais, as coisas mudam inesperadamente. Muitas brigas, repito, muitas brigas acaloradas virão, porém não tão quentes quanto os beijos que seguem-se. Michael percebe que Jeane é a única pessoa que não espera dele a perfeição. Mas como lidar com alguém tão egocêntrica e cheia de si? Jeane aprendeu desde cedo que deveria confiar apenas em si mesma, um trauma de infância está por trás disso. Arduamente ela pode perceber que o Adorkable não é tudo que lhe restou. Ela não está sozinha, as pessoas reais também se importam com ela. Seus milhares de seguidores no Twitter são reais também.

“Não é fácil pedir a alguém para abraçar você. Faz você se sentir vulnerável e carente, quando você passa a maior parte de sua vida fingindo para o mundo, e para si mesma, que você não é nenhuma dessas coisas, mas assim que eu consegui botar para fora o pedido, Michael não zombou de mim ou ficou irritado, ele apenas me abraçou.” Trecho da página 189

Não sei por onde começar meus elogios a essa maravilha de estória, mas estou ansioso por outros títulos da autora por ótimos motivos. Sarra Manning introduziu elementos como tweets, e-mails e status de relacionamento no enredo deixando-o familiar e divertido. Quem vive sem uma conta numa rede social hoje em dia? Quem nunca fez amigos de verdade através da internet? Quem nunca deu o primeiro passo com aquele (a) paquera teclando, não é mesmo? Tratando-se de um romance que pareça clichê, Os Adoráveis é muito mais complexo, inteligente e digno que isso. A autora reforça debates importantes a respeito de bullying, auto aceitação, sobre o que é, o que não é, e o que deve ser tratado como relevante. É, jovens, podemos discutir X-Factor e Big Brother a vontade mas podemos ir as ruas por uma política não corrupta também. A responsabilidade é nossa. É bom e até fácil ser você mesmo, basta não desistir. Isso é ser feliz, isso é ser dork, ser natural. Eu não sei como dizer isso, mas me vi em diversos e incontáveis momentos do livro, nunca marquei tantos quotes em uma leitura, até me assustei. Relacionamentos são tão parecidos, tão complicados. Acho que continuaremos a ter má sorte, ou boa, até o momento em que encontrarmos alguém no mesmo nível de azar, ou sorte do nosso. Os bate-papos a respeito de experiências sexuais foram trechos que li com um sorriso de orelha a orelha, tudo é tratado de forma simples, como deve ser visto, de fato. São experiências, oras, e a leitura desse livro foi uma adorável. Ritmo contagiante de leitura regado a questionamentos e lições realistas, válidas e divertidas.

“Vocês não tem que se ajustar. Vocês não precisam ser ninguém além de quem vocês realmente querem ser. Algumas vezes, nós nos esquecemos de que não há nenhuma lei que diz que é preciso ser o que os outros esperam que venhamos a ser.” Trecho da página 380
Felipe Miranda

Felipe Miranda

Sou redator, produtor de conteúdo, freelancer 24h e quase jornalista. Não consigo ficar quieto. Criei o OMD aos 15 anos e de lá para cá já vivi um mundo inteiro de histórias malucas (sem nem sair de casa).

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3 Comentários

  • GonçalvesSue
    03 fevereiro, 2014

    Parabéns pela resenha.. a 1º vez que vi a sinopse desse livro foi na feira do livro da minha cidade e me apaixonei, so que não deu pra comprar, mas sua resenha me deu mais forças pra comprar e ler.

  • Maria Clara
    20 novembro, 2013

    Adorei a resenha, se você se identificou tanto, acho que vou gostar do livro. Nossos gostos são bem parecidos :]]

  • Barbara Sathler
    29 outubro, 2013

    Tenho muita curiosidade neste livro, pegá-lo para ler na livraria onde trabalho mas a capa dele me afasta um pouco, não gostei. Já deveria ter aprendido a lição de não julgar pela capa mas às vezes não consigo hehe

    Blog: Just Babis (: